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Eu quero ser uma estrela da pedra, neném.
"I wanna be a rockstar" é um grito por liberdade tão urgente à adolescência que exterioriza a angústia pelo gutural, pelo berro: por nossa arma mais primitiva, anterior à própria linguagem, quase blablação não fosse o significado da frase na língua inglesa. O personagem rockstar foi o boêmio dos anos 90 (a música foi composta em 2002, portanto o personagem fantasioso do rockstar é como um resquício diurno, como se a década anterior fosse a "aurora" de minha vida atual; como se fosse o dia, que forma todo o inconsciente obscuro, a noite em mim, que alucina, sonha, com o ser rockstar nos anos 2000), o anarquista, o poeta, por quem as mulheres se atraíam apesar das roupas surradas e rasgadas (seria justamente por isso que elas se atraíam? por parecer que precisam de mães, os rockstars? desejavam se sentir, com eles, a mais poderosa das mulheres: a mãe? cuidando dessa criança desamparada e angustiada que é o rockstar).
Quando grito o que quero ser em outra língua imediatamente explicito (fico nu) que quero ser outra coisa que não isso que forçosamente sugere minha língua materna, minha mãe: quero renunciar a mãe, superar o desamparo, tornar-me o falo invejado; quero dominar a mãe, e por isso quero ser rockstar, possuir, dominar muitas mulheres que se atreverem a serem minhas mães. Grito ao contrário do que me foi dado durante toda minha formação de sujeito, meu espírito torna-se leão e grita o sagrado "não!" do Zaratustra de Nietzsche.
"I don't want to hate, I don't wanna blame". Sou assim violento justamente por não querer sentir esse ódio por quem me tornei; e também não quero culpar ninguém, não me cabe culpar, sei que sou quem sou só por ser quem sou e isso não diz respeito a ninguém se não eu mesmo e, como não sou mais crstão, não quero sê-lo, não me culpo. Mas falo sempre na negativa, por isso tenho que ser agressivo, tenho que exteriorizar essa dor em força, ação positiva contra o discurso-negativo: tenho que ser dialético para evoluir. "Listen what they say, what I told you: I wanna be a rockstar, baby. I wanna be a rockstar". Eu não tenho assunto, é apenas isso que desejo: ser um rockstar, tudo o mais é alucinação: apenas escute, escute... Mais uma grosseria minha, outra agressividade: chamo tua atenção, peço para que me escute, para então gritar em teus ouvidos. "Your life's so swell, well I don't really wanna be like that". Pois é justo isso: não quero ser bacana, não quero ser o bom vizinho, o que dá presentes à namorada somente nos aniversários, quero ser o amante! quero ser o poeta! (sei que Werther me entenderia) prefiro morrer a ser bacana (por fim a morte, sempre a morte no final, e somente com a morte se pode acabar). Para mostrar que sei ser rockstar e que faço o que bem quiser eis que transformo a música em salsa, mas mantenho a mesma harmonia foi grunge, depois mais esta outra coisa (que era de meu amigo e que me foi dado com carinho por ele, mas que nunca será meu, e que por transferência me compadeço e me aproprio, agrego ao meu discurso; com a ajuda de meu amigo me torno essa outra coisa que quero ser, e como o amor, bem pode ser ele que me torno) que não respeita a harmonia, sobe e desce cromaticamente, que se fortalece em dinâmica, de pouco em pouco, e cada vez mais, ralenta e... explode! em Tom Jobim. Ah, Tom... não quero sentir ódio, não quero culpar, escute... eu quero ser você! Só que do meu jeitinho. Ainda não sei qual é, por isso grito, por angústia, mas escute... estou tentando.
Eu vou ser um rockstar antes que eu morra.
Até que isso me mate, como o fez com todos os outros rockstars, boêmios, poetas, artistas e amantes: quero morrer de amor, não de ódio e culpa, de ser bacana.
Song for Dylan
"Song for Dylan" é a minha primeira contribuição como compositor para a Besouros da Praia, também fiz toda sua produção musical - captação, mixagem e masterização fui eu. O arranjo foi feito em com a participação da banda toda, e quem canta é o nosso querido Matheus Massa, que está afastado da banda para terminar seu curso de cinema na melhor escola do mundo, a EICTV em Cuba.
"Song for Dylan" (Lui)
I want to go to a higher place
But sometimes is better just to stay
Here comes the rain again
You can’t see the stars
But it doesn’t really matters
‘Cause you know just where they are
Two little roachs seems too much little
But there’s people still afraid of beetles
I know, I know...
It seems there’s nowhere else to go
But I don’t care I just wanna get the hell outta here
You know, you know
I can’t seem to be full
But baloons pop when you less expect
But sometimes is better just to stay
Here comes the rain again
You can’t see the stars
But it doesn’t really matters
‘Cause you know just where they are
Two little roachs seems too much little
But there’s people still afraid of beetles
I know, I know...
It seems there’s nowhere else to go
But I don’t care I just wanna get the hell outta here
You know, you know
I can’t seem to be full
But baloons pop when you less expect
Obs.: O texto a seguir foi escrito em Agosto de 2011.
Argumento e Análise de "Song for Dylan"
1. Da harmonia e melodia
“Song for Dylan” foi escrita para ser uma música simples. Um dos meus companheiros de banda e amigos costumava reclamar que minhas músicas eram um tanto complicadas e que não o agradavam tanto - me fazia sempre ter a impressão de que minha música era “ruim” -, então escrevi “Song for Dylan” justamente para o agradar e tocarmos na Besouros da Praia. Mas ao mesmo tempo que eu queria lhe agradar, fazer uma música simples, eu não queria me anular, e deixar que a música parecesse não ser minha.
Nunca fui muito fã de Bob Dylan. Quero dizer, ele é um ótimo letrista, e até mesmo compositor no seu próprio estilo e discurso, mas é justamente essa impressão de que a letra é mais importante que a música no Bob Dylan que nunca me agradou - não que seja ruim, mas não é isso que eu consumo em se tratando de música. Então, quis fazer nessa música uma espécie de diálogo entre eu e Bob Dylan.
Na parte “A” da música (de “I want to go to a higher place...” até “‘cause you know just where they are”) eu compus como se fosse Bob Dylan falando. A harmonia é simples;
G Am7 G
I want to go to a higher place
G Am7 G
But sometimes is better just to stay
C G
Here comes the rain again
C G
You can’t see the stars
C G
But it doesn’t really matters
A7 D7sus4 D7
‘Cause you know just where they are
E a melodia é toda trabalhada pra sempre cair nas tônicas dos acordes. Nada demais, nada que desafie ouvidos. O que eu procurei fazer pra tornar um pouco mais interessante foi fazer as primeiras frases (“I want to go to a higher place/But sometimes is better just to stay”) em compassos de 6/4, intercalados por compassos de 4/4, mas ainda assim, nada que minha banda havia reparado até eu dizer que era assim.
A parte B (“Here comes the rain again”) serve pra firmar ainda mais a tonalidade de G, a melodia explora melhor as notas da escala e o A7#, seguido do D7sus4 e D7 é uma espécide de CODA para provocar os ouvidos a procurarem as resoluções em G.
Após isso se repetem o A, com outra letra e o B:
Two little roachs seems too much little
But there’s people still afraid of beetles
Após a reexposição dos temas eu apresento um material novo, mais complexo, denso. Agora sim, meu próprio discurso dirigido ao Bob Dylan.
Bm Em Gm F#7
I know, I know...
Bm Em Gm F#7
It seems there’s nowhere else to go
Bm Em
But I don’t care
Gm A7 D7sus4 D7
I just wanna get the hell outta here
Em uma forma sonata clássica, normalmente, se apresenta o primeiro tema na Tônica, e o segundo na Dominante, meu raciocínio nessa canção foi parecida. Nessa parte C eu quis desenvolver um novo tema em D e para isso comecei a nova sessão em Bm (VIm, relativa menor) e usei o Gm (IVm, clichê de música pop), mas para não ficar óbvio que eu fui para D, uso a dominante de Bm e não vou para D (tônica, I) de verdade, só uso a dominante de D pra voltar pra G, naquele mesmo raciocínio das partes anteriores de usar o V7 do V7 para valorizar a tonalidade, de forma a reapresentar os materiais antigos, e convidar o ouvinte a querer ouvir as partes A e B de novo. A melodia na parte C também é levemente mais complicada e a duas vozes, mas nada realmente de tão interessante que precise ser explicado.
Quando eu apresento A e B de novo uso as ideias rítmica e dinâmica da introdução na A, e o B para uma sessão de improviso de guitarra, para agradar os familiares com a forma canção no rock n’ roll. Depois do improviso apresento o C novamente, dessa vez extendido e finalizo a música.
2. Da letra e Conclusão
A letra dessa canção fala sobre compor e de como eu quero ir além na música, eu quero explorar e não mais ficar nesse óbvio tão agradável, mas que o óbvio é agradável isso ele é.
“I want to go to go to a higher place/But sometimes is better just to stay” fala isso: eu quero fazer mais da música! Muito mais, mas às vezes é bom ficar nesse óbvio, nessa tonalidade, nessa melodia simples, nesse agradável.
Então eu falo que alguma coisa aparentemente ruim (a chuva) vem e tapam as coisas boas (estrelas), mas que isso não deveria importar, porque nós sabemos que ali ainda está aquela coisa boa. Falo sobre como deveríamos brincar de desconstruir os clichês, porque os clichês ainda vão fazer parte daquilo que desconstruimos. O que quero dizer com isso é que eu não vou começar a compor música serial, eletroacústica aleatória, mas que eu quero desenvolver a música pop, assim como os Beatles fizeram!.
E é isso que eu falo no segundo A: que duas baratas (pequenas coisas, só dois acordes, duas notas na melodia, nesse caso) me parece pouca coisa, e que ainda, 50 anos depois, nós ainda nos surpreendemos (nos assustamos) com os Beatles (besouros), com os absurdos que eles desenvolveram. Minha crítica vai ao ponto de que nos surpreende ainda não so por causa da qualidade do trabalho, mas por nossa covardia de não querer sair do lugar hoje em dia. O rock brasileiro é pobre demais de desenvolvimento conceitual e intelectual, de imediato consigo falar de apenas duas bandas que fizeram um trabalho aqui que eu consigo fazer uma comparação com o que se fazia no exterior e que desenvolveu tão bem o seu trabalho quanto outras bandas internacionais o faziam na mesma época: Mutantes e Titãs.
Em “I know, I know...” é como se eu estivesse me desculpando, me esquivando. Eu sei que parece que não tem mais pra onde ir, mas eu não quero ficar aqui! Nessa obveidade, nesse agradável. Acredito que a música é capaz de nos provocar infinitas sensações, mas somos preguiçosos e as consumimos por um único filtro dualista: gosto/não gosto; ou bom/ruim para os julgadores. Mas eu não preciso ir muito longe pra dizer que a música também pode causar alegria, vontade de dançar, nostalgia, tristeza, vontade de deitar, refletir sobre a vida, vontade de rir, gargalhar; o que eu proponho, e nem é mais uma proposta tão contemporânea, a sensação de estranhamento, como quem vê um filme de terror, não se gosta de um filme de terror por ele ser agradável, não é mesmo. O que quero dizer é que não se pode escutar Björk com o mesmo ouvido que se escuta Skank; Mutantes com o mesmo ouvido que se escuta Hermits & Hermits; Stockhausen com o mesmo ouvido que se escuta Philipm Glass; e assim por diante. Devemos filtrar - ou melhor, nos livrarmos dos filtros - de acordo com cada proposta da experiência, como andar de skate e de rollerblade vão ser diferente entre si, apesar de pertencerem a mesma grande área dos esportes radicais.
Considero importante que uma música, ou ao menos um artista, que tenha o que dizer, que quando perguntado “como você compõe?” ele não responda somente “Bem, eu pego o violão, aí encadeio acordes que acho que podem ficar bonitos e vou cantando alguma coisa por cima, e depois (ou antes) faço uma letra que faça a música ficar ainda mais bonita.” Não que não deva existir isso, mas acho pobre, eu mesmo compunha assim quando tinha 13, 14 anos, e acho que continuar compondo assim depois de anos é falta de maturidade, preguiça intelectual. Não que não seja justificável, música de fato é uma coisa tão agradável que nos faz querer simplesmente explorar o que agrada, mas não podemos esquecer que ela é também, ou acima de tudo, um objeto artístico, um campo de pesquisa, um objeto intelectual e acadêmico. Não é de se surpreender que a música pop no Brasil seja um assunto tão mal-explorado na academia, porque de fato ela carece de discurso, de diferencial. Por que vamos falar de Legião Urbana se haviam os Smiths e The Cure? Claro que são diferentes, mas exploram ideias parecidas, e, me arrisco a dizer, foram mais além do que a banda brasileira. Vão me dizer que a importância de se falar de Legião Urbana está na letra,ou talvez porque, como somos brasileiros, devemos dar importância ao que é daqui, mas eu discordo, e mais que brasileiro - coisa que não tenho nem escolha - sou músico, e dou importância ao que me parece ser mais importante para a música, e não para alimentar uma noção patriota e bairrista. Legião Urbana fez coisas incríveis, e prefiro à Smiths, mas acredito que a importância histórica de Legião Urbana para a história da música ao todo não é tão sigfnificante quanto a dos Smiths.
Por fim, digo que esta não é, de longe, minha música que mais gosto, mas ela tem um discurso que acho fácil de explicitar, e com ela eu gostaria de demonstrar como uma canção pode ir um pouco além de sua proposta primeira por simplesmente arriscar harmônica, ou rítmicamente, ou em qualquer outra propriedade da música, é claro. Minha proposta para os meus aliados da música, é que desenvolvamos uma arte musical no Brasil hoje, na música pop, mais complexa e interessante. Meu desejo é de desenvolver um material referência para os futuros compositores da música pop, assim como foram Buddy Holly, Beatles, Beach Boys, Jimmy Hendrix, Ramones, Queen, Michael Jackson, Nirvana, Strokes, por ordem cronológica. Não digo que esses foram os melhores, nem os mais importantes de suas épocas, mas foram dos que eu, e isso é opinião mesmo, sem fundamento criterioso, considero mais influentes hoje de suas épocas.
“Song for Dylan” foi escrita para ser uma música simples. Um dos meus companheiros de banda e amigos costumava reclamar que minhas músicas eram um tanto complicadas e que não o agradavam tanto - me fazia sempre ter a impressão de que minha música era “ruim” -, então escrevi “Song for Dylan” justamente para o agradar e tocarmos na Besouros da Praia. Mas ao mesmo tempo que eu queria lhe agradar, fazer uma música simples, eu não queria me anular, e deixar que a música parecesse não ser minha.
Nunca fui muito fã de Bob Dylan. Quero dizer, ele é um ótimo letrista, e até mesmo compositor no seu próprio estilo e discurso, mas é justamente essa impressão de que a letra é mais importante que a música no Bob Dylan que nunca me agradou - não que seja ruim, mas não é isso que eu consumo em se tratando de música. Então, quis fazer nessa música uma espécie de diálogo entre eu e Bob Dylan.
Na parte “A” da música (de “I want to go to a higher place...” até “‘cause you know just where they are”) eu compus como se fosse Bob Dylan falando. A harmonia é simples;
G Am7 G
I want to go to a higher place
G Am7 G
But sometimes is better just to stay
C G
Here comes the rain again
C G
You can’t see the stars
C G
But it doesn’t really matters
A7 D7sus4 D7
‘Cause you know just where they are
E a melodia é toda trabalhada pra sempre cair nas tônicas dos acordes. Nada demais, nada que desafie ouvidos. O que eu procurei fazer pra tornar um pouco mais interessante foi fazer as primeiras frases (“I want to go to a higher place/But sometimes is better just to stay”) em compassos de 6/4, intercalados por compassos de 4/4, mas ainda assim, nada que minha banda havia reparado até eu dizer que era assim.
A parte B (“Here comes the rain again”) serve pra firmar ainda mais a tonalidade de G, a melodia explora melhor as notas da escala e o A7#, seguido do D7sus4 e D7 é uma espécide de CODA para provocar os ouvidos a procurarem as resoluções em G.
Após isso se repetem o A, com outra letra e o B:
Two little roachs seems too much little
But there’s people still afraid of beetles
Após a reexposição dos temas eu apresento um material novo, mais complexo, denso. Agora sim, meu próprio discurso dirigido ao Bob Dylan.
Bm Em Gm F#7
I know, I know...
Bm Em Gm F#7
It seems there’s nowhere else to go
Bm Em
But I don’t care
Gm A7 D7sus4 D7
I just wanna get the hell outta here
Em uma forma sonata clássica, normalmente, se apresenta o primeiro tema na Tônica, e o segundo na Dominante, meu raciocínio nessa canção foi parecida. Nessa parte C eu quis desenvolver um novo tema em D e para isso comecei a nova sessão em Bm (VIm, relativa menor) e usei o Gm (IVm, clichê de música pop), mas para não ficar óbvio que eu fui para D, uso a dominante de Bm e não vou para D (tônica, I) de verdade, só uso a dominante de D pra voltar pra G, naquele mesmo raciocínio das partes anteriores de usar o V7 do V7 para valorizar a tonalidade, de forma a reapresentar os materiais antigos, e convidar o ouvinte a querer ouvir as partes A e B de novo. A melodia na parte C também é levemente mais complicada e a duas vozes, mas nada realmente de tão interessante que precise ser explicado.
Quando eu apresento A e B de novo uso as ideias rítmica e dinâmica da introdução na A, e o B para uma sessão de improviso de guitarra, para agradar os familiares com a forma canção no rock n’ roll. Depois do improviso apresento o C novamente, dessa vez extendido e finalizo a música.
2. Da letra e Conclusão
A letra dessa canção fala sobre compor e de como eu quero ir além na música, eu quero explorar e não mais ficar nesse óbvio tão agradável, mas que o óbvio é agradável isso ele é.
“I want to go to go to a higher place/But sometimes is better just to stay” fala isso: eu quero fazer mais da música! Muito mais, mas às vezes é bom ficar nesse óbvio, nessa tonalidade, nessa melodia simples, nesse agradável.
Então eu falo que alguma coisa aparentemente ruim (a chuva) vem e tapam as coisas boas (estrelas), mas que isso não deveria importar, porque nós sabemos que ali ainda está aquela coisa boa. Falo sobre como deveríamos brincar de desconstruir os clichês, porque os clichês ainda vão fazer parte daquilo que desconstruimos. O que quero dizer com isso é que eu não vou começar a compor música serial, eletroacústica aleatória, mas que eu quero desenvolver a música pop, assim como os Beatles fizeram!.
E é isso que eu falo no segundo A: que duas baratas (pequenas coisas, só dois acordes, duas notas na melodia, nesse caso) me parece pouca coisa, e que ainda, 50 anos depois, nós ainda nos surpreendemos (nos assustamos) com os Beatles (besouros), com os absurdos que eles desenvolveram. Minha crítica vai ao ponto de que nos surpreende ainda não so por causa da qualidade do trabalho, mas por nossa covardia de não querer sair do lugar hoje em dia. O rock brasileiro é pobre demais de desenvolvimento conceitual e intelectual, de imediato consigo falar de apenas duas bandas que fizeram um trabalho aqui que eu consigo fazer uma comparação com o que se fazia no exterior e que desenvolveu tão bem o seu trabalho quanto outras bandas internacionais o faziam na mesma época: Mutantes e Titãs.
Em “I know, I know...” é como se eu estivesse me desculpando, me esquivando. Eu sei que parece que não tem mais pra onde ir, mas eu não quero ficar aqui! Nessa obveidade, nesse agradável. Acredito que a música é capaz de nos provocar infinitas sensações, mas somos preguiçosos e as consumimos por um único filtro dualista: gosto/não gosto; ou bom/ruim para os julgadores. Mas eu não preciso ir muito longe pra dizer que a música também pode causar alegria, vontade de dançar, nostalgia, tristeza, vontade de deitar, refletir sobre a vida, vontade de rir, gargalhar; o que eu proponho, e nem é mais uma proposta tão contemporânea, a sensação de estranhamento, como quem vê um filme de terror, não se gosta de um filme de terror por ele ser agradável, não é mesmo. O que quero dizer é que não se pode escutar Björk com o mesmo ouvido que se escuta Skank; Mutantes com o mesmo ouvido que se escuta Hermits & Hermits; Stockhausen com o mesmo ouvido que se escuta Philipm Glass; e assim por diante. Devemos filtrar - ou melhor, nos livrarmos dos filtros - de acordo com cada proposta da experiência, como andar de skate e de rollerblade vão ser diferente entre si, apesar de pertencerem a mesma grande área dos esportes radicais.
Considero importante que uma música, ou ao menos um artista, que tenha o que dizer, que quando perguntado “como você compõe?” ele não responda somente “Bem, eu pego o violão, aí encadeio acordes que acho que podem ficar bonitos e vou cantando alguma coisa por cima, e depois (ou antes) faço uma letra que faça a música ficar ainda mais bonita.” Não que não deva existir isso, mas acho pobre, eu mesmo compunha assim quando tinha 13, 14 anos, e acho que continuar compondo assim depois de anos é falta de maturidade, preguiça intelectual. Não que não seja justificável, música de fato é uma coisa tão agradável que nos faz querer simplesmente explorar o que agrada, mas não podemos esquecer que ela é também, ou acima de tudo, um objeto artístico, um campo de pesquisa, um objeto intelectual e acadêmico. Não é de se surpreender que a música pop no Brasil seja um assunto tão mal-explorado na academia, porque de fato ela carece de discurso, de diferencial. Por que vamos falar de Legião Urbana se haviam os Smiths e The Cure? Claro que são diferentes, mas exploram ideias parecidas, e, me arrisco a dizer, foram mais além do que a banda brasileira. Vão me dizer que a importância de se falar de Legião Urbana está na letra,ou talvez porque, como somos brasileiros, devemos dar importância ao que é daqui, mas eu discordo, e mais que brasileiro - coisa que não tenho nem escolha - sou músico, e dou importância ao que me parece ser mais importante para a música, e não para alimentar uma noção patriota e bairrista. Legião Urbana fez coisas incríveis, e prefiro à Smiths, mas acredito que a importância histórica de Legião Urbana para a história da música ao todo não é tão sigfnificante quanto a dos Smiths.
Por fim, digo que esta não é, de longe, minha música que mais gosto, mas ela tem um discurso que acho fácil de explicitar, e com ela eu gostaria de demonstrar como uma canção pode ir um pouco além de sua proposta primeira por simplesmente arriscar harmônica, ou rítmicamente, ou em qualquer outra propriedade da música, é claro. Minha proposta para os meus aliados da música, é que desenvolvamos uma arte musical no Brasil hoje, na música pop, mais complexa e interessante. Meu desejo é de desenvolver um material referência para os futuros compositores da música pop, assim como foram Buddy Holly, Beatles, Beach Boys, Jimmy Hendrix, Ramones, Queen, Michael Jackson, Nirvana, Strokes, por ordem cronológica. Não digo que esses foram os melhores, nem os mais importantes de suas épocas, mas foram dos que eu, e isso é opinião mesmo, sem fundamento criterioso, considero mais influentes hoje de suas épocas.
A mesa redonda, o vômito e a imbecilidade de quem já deveria estar morto.
Em baixo de uma foto sua, com os olhos caídos, mirando qualquer coisa, provavelmente de olhar desfocado, o braço jogado por cima da mesa de qualquer jeito, Roland Barthes assim define o tédio: a mesa redonda. Um espaço de debate, democrático, em que todo mundo, sentado lado a lado, tem igual hierarquia, com semelhante peso de argumentação, torna-se, então, sedutor à quem agrada opinar como se isso fosse discutir. Opiniões são como regugitos: sente-se uma vontade irresistível (por isso se tenta resistir) de fazê-lo, e assim que feito se sente um alívio, mas ainda com a sensação de que há mais o que ser vomitado. Assistindo essa cena grotesca, quem está a volta se comove e passa também se enojar, regugitar e opinar. Falam de si como se seu enjoô fosse melhor fundamentado, como se sua opinão tivesse base em doença mais grave. Vomita-se: "eu acho isso"; "com minha mãe aconteceu assim"; "acredito que seja melhor"; "pra mim isso é ruim". Mas se tem pena, então se encara esse esforço de falar de si como um apoio, uma permissão para possíveis erros. Pensam todos: "Que humilde, admite que é sua e somente sua opinião, pois não quer impor nada a ninguém." Enquanto, na realidade, toda opinião de mesa redonda é fruto de uma comoção, afecção causada por todo o regugito explicitado até o momento de se dar a opinião, não reflexo de humildade, como se fosse um argumento fundamentado, mas inocentado pela variável "pra mim é assim, pra ti pode não ser".
A opinião é diferente do palpite. Palpite é uma sugestão que pode ser, sem ofensas, ser negado. A opinião quando negada é ofensiva, pois nega-se junto o próprio sujeito falante, como se o passar mal dele não valesse; o esforço de tirar aquele mal-estar do corpo é invalidado por alguém que diagnostica, ou simplesmente aponta (sem necessariamente definir) que não se passa de hipocondria, vontade de chamar atenção, desejo adolescente de se mostrar sujeito de opinião (opinião nasce na adolescência, podendo se desenvolver como argumento ou não). A única forma de fundamentar uma opinião é domindando a oratória (um palpite deve ter referências empíricas, argumentos referiencial teórico), e somente pela habilidade de se falar bem é que se convence de que uma opinião vale mais que outra (porque na realidade opinião não tem valor, como dois vendedores, vendendo o mesmo produto, convence o consumidor de que, por algum motivo quase místico, se o produto for comprado com ele, vale mais). Esta é uma habilidade que se aprende defendendo-se dos pais, professores, tratando com muita gente, sendo obrigado a vender (oferecer) produtos (ideias) dos quais não se tem certeza do valor, como é caso de uma banda ruim, e que sabe que sua música é ruim, ou melhor, limitada. É importante também que a opinião tenha um único (ou ao menos, limitado) público alvo, e pra isso é deveras importante que a estética da opinião (opinião de direita, esquerda, anarquista, de artista, religoso, advogado moralista, advogado liberal, jornalista que denuncia, jornalista que critica, jornalista otimista, etc.) seja precisamente definida, limitada. Em uma análise simplória por vias marxistas podemos dizer que uma pessoa de opinião é presa à uma ideologia (sempre se está preso à uma ideologia), uma falsa consciência, e que toda sua opinião serve à uma classe em detrimento de outra (como um metaleiro que defende sua música em detrimento ao funk carioca); podemos ser mais naturalistas e dizer que é a opinião é forma de marcação territorial, e de esforço de preservação da sua espécie (novamente o mesmo exemplo do metaleiro querendo sobreviver tendo que destruir, e arrancar o território do funkeiro); podemos também ser interpretativos e dizer que essas opiniões são verdadeiras dependendo da visão de mundo, do "ser-no-mundo" de cada sujeito. Não importa, o que se deve salientar é que não existe, de fato, opinião melhor.
No entanto, discute-se nessas mesas redondas a fim de chegar a um consenso acerca de assuntos polêmicos (assuntos que geram combate, se considerarmos a etimologia da palavra "polêmica": Do grego πολεμικός (polemikós) (el), "relativo a guerra", de acordo com o Wikicionário), ou seja as opiniões contrárias são sempre espécie de tiros disparados em direção do outro. Quando finalmente se chega à conclusão sobre algum assunto, tem-se um minuto de silêncio por todos aqueles que morreram em guerra, e para que cada um possa rever seu mundo, suas ideias, e se preparar para pensar sobre o que será discutido a partir do que foi decidido. Pode acontecer de algum infeliz, que talvez estivesse de reserva, ou injuriado de outro combate, ou simplesmente ocupado com outras tarefas, que não pôde comparecer à mesa redonda anterior, lançar tiro contra um assunto que já havia sido assinado por todos, mesmo contrariados, no tratado pós-guerra, mas como se pode esperar de uma mesa redonda, o aspecto guerreiro das discussões fica apenas em âmbito metafórico, e um sujeito qualquer pode pegar aquele tiro, pode interromper aquela opinião afim de impedir que toda aquela antiga discussão polêmica se repita. No entanto isso desencadeia todo um mal-estar no sujeito negado (opinião negada, sujeito negado, doença invalidada, falsidade identificada, identidade adolescente abalada) o que agencia uma série de reações. Como se trata de um aspecto adolescente, tal qual é a opinião, a reação se faz por meio também adolescente: "Vai tomar no cu", poderiam dizer, justamente porque uma opinião não é fundamentada, e quando se argumenta (fundamenta) contra uma opinião, o sujeito contrariado sente-se raivoso, e dispara ofensas por se sentir ofendido (nada ofende mais um adolescente que ter sua opinião invalidada, porque isso é ter toda sua inédita identidade negada, e formação da identidade, dizem, é justamente o que define a adolescência).
Ainda assim, deve-se fazer um esforço para estar presente em mesas redondas, porque, por milagre ou por amadurecimento, pode aparecer assuntos interessantes, relevantes, bem fundamentados, que são passíveis de reflexão, como por exemplo este: um adulto contrariado manda outro tomar no cu. O que foi esse "tomar no cu"? O que se quer quando se manda um outro "tomar no cu"? O que significa para ele, e o que ele imagina que significa para o outro, "tomar no cu"? Talvez ele imaginasse ali ganhar respeito dos outros que já se sentiram contrariado, ou ao menos apoio deles. Talvez neste momento ele estivesse, de fato, desistindo de tentar argumentar, já que sua opinião - ele mesmo - havia sido contrariado. Disse ele que não era a primeira vez que tinha sido contrariado daquela maneira, ou seja: a quantidade importa. Claro, ele é um sujeito que se ofende, e a ofensa, como paixão triste que é, ocupa um espaço no sujeito, por isso quanto mais vezes ofendido, pior é a qualidade da ofensa, pois pesa cada vez mais no sujeito. Os argumentos contrariados não são ofendidos, porque é preciso que o contra-argumento seja bem fundamentado também, e quando fundamentado se torna real, então pouco importa quem tem razão, pois se sabe que cada um tem sua razão. Todo o esforço pra se manter, e impor, uma opinião, mostra um sujeito frágil (por isso cheio de escudos) e preconceituoso. O pré-conceito, como nos denuncia Nietzsche, é um pré-juízo: o que não entra em meus conceitos pré concebidos, não entra em meu mundo, por isso perco este "algo novo" que tenta entrar em meu mundo e me afetar, e por fim, como o perco, tenho prejuízo. Pessoas preconceituosas, por ter para si um mundo pequeno, se esforçam mais para encontrar quem possa fazer parte de seu mundo (por isso o esforço de uma banda de Hardcore de tocar com outra banda de Hardcore), pois assim gera-se uma ilusão de que o mundo aumenta pelo aumento do número de pessoas naquele mesmo mundo: mundo grande é mundo cheio de gente; mas para quem se evita ter preconceitos, percebe-se que um mundo é feito de muito mais que simplesmente gente, quem dirá por gente que tem um mundo igual (juntas duas pessoas que já moram na mesma casa não faz aumentar a casa, a família, a variedade genética, etc): o esforço de quem evita o preconceito é aumentar cada vez mais esse mundo, que é o próprio esforço de todo o conhecimento: conhecer cada vez mais. Por isso todo preconceituoso é ignorante (ignora e exclui o que não passa pelo critério de seus conceitos), e, enfim, imbecil.
Já diz o nome da banda: se não mais prestar, pode deixar morrer. Faz 20 anos que se esforçam pra sobreviver.
A opinião é diferente do palpite. Palpite é uma sugestão que pode ser, sem ofensas, ser negado. A opinião quando negada é ofensiva, pois nega-se junto o próprio sujeito falante, como se o passar mal dele não valesse; o esforço de tirar aquele mal-estar do corpo é invalidado por alguém que diagnostica, ou simplesmente aponta (sem necessariamente definir) que não se passa de hipocondria, vontade de chamar atenção, desejo adolescente de se mostrar sujeito de opinião (opinião nasce na adolescência, podendo se desenvolver como argumento ou não). A única forma de fundamentar uma opinião é domindando a oratória (um palpite deve ter referências empíricas, argumentos referiencial teórico), e somente pela habilidade de se falar bem é que se convence de que uma opinião vale mais que outra (porque na realidade opinião não tem valor, como dois vendedores, vendendo o mesmo produto, convence o consumidor de que, por algum motivo quase místico, se o produto for comprado com ele, vale mais). Esta é uma habilidade que se aprende defendendo-se dos pais, professores, tratando com muita gente, sendo obrigado a vender (oferecer) produtos (ideias) dos quais não se tem certeza do valor, como é caso de uma banda ruim, e que sabe que sua música é ruim, ou melhor, limitada. É importante também que a opinião tenha um único (ou ao menos, limitado) público alvo, e pra isso é deveras importante que a estética da opinião (opinião de direita, esquerda, anarquista, de artista, religoso, advogado moralista, advogado liberal, jornalista que denuncia, jornalista que critica, jornalista otimista, etc.) seja precisamente definida, limitada. Em uma análise simplória por vias marxistas podemos dizer que uma pessoa de opinião é presa à uma ideologia (sempre se está preso à uma ideologia), uma falsa consciência, e que toda sua opinião serve à uma classe em detrimento de outra (como um metaleiro que defende sua música em detrimento ao funk carioca); podemos ser mais naturalistas e dizer que é a opinião é forma de marcação territorial, e de esforço de preservação da sua espécie (novamente o mesmo exemplo do metaleiro querendo sobreviver tendo que destruir, e arrancar o território do funkeiro); podemos também ser interpretativos e dizer que essas opiniões são verdadeiras dependendo da visão de mundo, do "ser-no-mundo" de cada sujeito. Não importa, o que se deve salientar é que não existe, de fato, opinião melhor.
No entanto, discute-se nessas mesas redondas a fim de chegar a um consenso acerca de assuntos polêmicos (assuntos que geram combate, se considerarmos a etimologia da palavra "polêmica": Do grego πολεμικός (polemikós) (el), "relativo a guerra", de acordo com o Wikicionário), ou seja as opiniões contrárias são sempre espécie de tiros disparados em direção do outro. Quando finalmente se chega à conclusão sobre algum assunto, tem-se um minuto de silêncio por todos aqueles que morreram em guerra, e para que cada um possa rever seu mundo, suas ideias, e se preparar para pensar sobre o que será discutido a partir do que foi decidido. Pode acontecer de algum infeliz, que talvez estivesse de reserva, ou injuriado de outro combate, ou simplesmente ocupado com outras tarefas, que não pôde comparecer à mesa redonda anterior, lançar tiro contra um assunto que já havia sido assinado por todos, mesmo contrariados, no tratado pós-guerra, mas como se pode esperar de uma mesa redonda, o aspecto guerreiro das discussões fica apenas em âmbito metafórico, e um sujeito qualquer pode pegar aquele tiro, pode interromper aquela opinião afim de impedir que toda aquela antiga discussão polêmica se repita. No entanto isso desencadeia todo um mal-estar no sujeito negado (opinião negada, sujeito negado, doença invalidada, falsidade identificada, identidade adolescente abalada) o que agencia uma série de reações. Como se trata de um aspecto adolescente, tal qual é a opinião, a reação se faz por meio também adolescente: "Vai tomar no cu", poderiam dizer, justamente porque uma opinião não é fundamentada, e quando se argumenta (fundamenta) contra uma opinião, o sujeito contrariado sente-se raivoso, e dispara ofensas por se sentir ofendido (nada ofende mais um adolescente que ter sua opinião invalidada, porque isso é ter toda sua inédita identidade negada, e formação da identidade, dizem, é justamente o que define a adolescência).
Ainda assim, deve-se fazer um esforço para estar presente em mesas redondas, porque, por milagre ou por amadurecimento, pode aparecer assuntos interessantes, relevantes, bem fundamentados, que são passíveis de reflexão, como por exemplo este: um adulto contrariado manda outro tomar no cu. O que foi esse "tomar no cu"? O que se quer quando se manda um outro "tomar no cu"? O que significa para ele, e o que ele imagina que significa para o outro, "tomar no cu"? Talvez ele imaginasse ali ganhar respeito dos outros que já se sentiram contrariado, ou ao menos apoio deles. Talvez neste momento ele estivesse, de fato, desistindo de tentar argumentar, já que sua opinião - ele mesmo - havia sido contrariado. Disse ele que não era a primeira vez que tinha sido contrariado daquela maneira, ou seja: a quantidade importa. Claro, ele é um sujeito que se ofende, e a ofensa, como paixão triste que é, ocupa um espaço no sujeito, por isso quanto mais vezes ofendido, pior é a qualidade da ofensa, pois pesa cada vez mais no sujeito. Os argumentos contrariados não são ofendidos, porque é preciso que o contra-argumento seja bem fundamentado também, e quando fundamentado se torna real, então pouco importa quem tem razão, pois se sabe que cada um tem sua razão. Todo o esforço pra se manter, e impor, uma opinião, mostra um sujeito frágil (por isso cheio de escudos) e preconceituoso. O pré-conceito, como nos denuncia Nietzsche, é um pré-juízo: o que não entra em meus conceitos pré concebidos, não entra em meu mundo, por isso perco este "algo novo" que tenta entrar em meu mundo e me afetar, e por fim, como o perco, tenho prejuízo. Pessoas preconceituosas, por ter para si um mundo pequeno, se esforçam mais para encontrar quem possa fazer parte de seu mundo (por isso o esforço de uma banda de Hardcore de tocar com outra banda de Hardcore), pois assim gera-se uma ilusão de que o mundo aumenta pelo aumento do número de pessoas naquele mesmo mundo: mundo grande é mundo cheio de gente; mas para quem se evita ter preconceitos, percebe-se que um mundo é feito de muito mais que simplesmente gente, quem dirá por gente que tem um mundo igual (juntas duas pessoas que já moram na mesma casa não faz aumentar a casa, a família, a variedade genética, etc): o esforço de quem evita o preconceito é aumentar cada vez mais esse mundo, que é o próprio esforço de todo o conhecimento: conhecer cada vez mais. Por isso todo preconceituoso é ignorante (ignora e exclui o que não passa pelo critério de seus conceitos), e, enfim, imbecil.
Já diz o nome da banda: se não mais prestar, pode deixar morrer. Faz 20 anos que se esforçam pra sobreviver.
Fragmento ideia escrito a partir de uma reflexão acerca dos primeiros minutos de L'abácédaire de Gilles Deleuze
Um bom artista - músico, plástico, escritor - deve contar uma história, ter um discurso, inventar um mundo (um mundo somente seu, do seu devir), que não somente o mundo de todo o mundo. Enfim, todo artista deve ser um bom escritor, romancista: não deve somente coisas redundantes, fúteis, comuns - "comum" como sendo de todo o mundo e não somente dele, não é propriedade, é o senso comum -, não deve simplesmente explanar um fato familiar, cotidiano, real. Quem conta o que já está ali é um repórter, é como quem simplesmente explica o que entendeu: não há, aí, criatividade, mas lógica. Encontra-se meios lógicos de fazer aqueles fatos cotidianos e comuns parecerem fascinantes por parecerem outros mundos: novos mundos para os leitores, mas não para o escritor.
Um real artista, ou simplesmente artista, conta uma história inédita inclusive para si mesmo.
Ps. Achei lindo o Deleuze chamando o Guattari pelo primeiro nome: tanta intimidade, carinho, respeito ativo, amizade, amor.
canção para Dylan (e Amaral)
eu quero ir pr'um lugar mais alto
mas às vezes é melhor simplesmente permanecer
Aí vem a chuva de novo
não dá pra ver as estrelas
mas não importa realmente
porque tu sabe exatamente onde elas estão
só duas coisas parecem tão pouco
mas tem gente com medo de besouros
eu sei,eu sei
parece que não nenhum outro lugar pra ir
mas eu não ligo
eu só quero dar o fora daqui
tu sabe, tu sabe
eu pareço não me satisfazer
tu sabe, balões explodem quando se menos espera
mas às vezes é melhor simplesmente permanecer
Aí vem a chuva de novo
não dá pra ver as estrelas
mas não importa realmente
porque tu sabe exatamente onde elas estão
só duas coisas parecem tão pouco
mas tem gente com medo de besouros
eu sei,eu sei
parece que não nenhum outro lugar pra ir
mas eu não ligo
eu só quero dar o fora daqui
tu sabe, tu sabe
eu pareço não me satisfazer
tu sabe, balões explodem quando se menos espera
Louise Attaque
Há uns anos atrás eu comprei um CD virgem da Faber Castell. Fechado, lacrado com plastico, virgen, inviolado mesmo. Quando o penetrei no PC para finalmente o violar, o Winamp abriu automaticamente e começou a tocar isso:
(Mas não a versão ao vivo)
E durante anos - eu adoraria saber quantos - eu ouvi este CD, adorando, sem saber quem diabos estava tocando.
Nesta última terça-feira a Besouros da Praia tocou no Blues Velvet, edurante i intervalinho, o bar pôs som mecânico pra tocar e BEM! Eram eles! Os franceses que eu tanto adorava!
Eles se chamam Louise Attaque e são demais. Ouçam.
Louise Attaque no Last.fm

Louise Attaque (1997)
1. Amours
2. J'T'emmène au Vent
3. Ton Invitation
4. La La Brune
5. Les Les Nuits Parisiennes
6. L' L' Imposture
7. Savoir
8. Arrache-Moi
9. Lea
10. Fatigante
11. Tes Yeux Se Moquent
12. Vous Avez l'Heure
13. Toute Cette Histoire
14. Cracher Nos Souhaits
Download:
louise attaque 1997.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es

Comme on a dit(2000)
1. Qu'est-ce qui nous tente
2. Tu dis rien
3. Sans filet
4. D'amour en amour
5. Tout passe
6. L'intranquillité
7. Comme on a dit
8. Pour un oui, pour un non
9. Faut se le dire
10. La plume
11. Justement
12. La ballade de basse
13. Du nord au sud
Download:
Comme on a dit.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es

À Plus Tard Crocodille (2005)
1.La La Traversée du Désert
2.Revolver
3.Shibuya Station
4.Sean Penn, Mitchum
5.Si l'On Marchait Jusqu' à Demain
6.Salomé
7.Si C'Etait Hier
8.Oui, Non
9.Nos Sourires
10.Depuis Toujours
11.À l'Envers
12.Manhattan
13.See You Later Alligator
14.La La Nuit
15.Oui, Non, Encore?
16.Est-Ce Que Tu M'Aimes Encore?
17.La La Valse
18.Ça M'Aurait Plus
Download:
à plus tard crocodille.megaupload
à plus tard crocodille.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es
Fonte dos downloads - Blog Indi.E.geste
(Mas não a versão ao vivo)
E durante anos - eu adoraria saber quantos - eu ouvi este CD, adorando, sem saber quem diabos estava tocando.
Nesta última terça-feira a Besouros da Praia tocou no Blues Velvet, edurante i intervalinho, o bar pôs som mecânico pra tocar e BEM! Eram eles! Os franceses que eu tanto adorava!
Eles se chamam Louise Attaque e são demais. Ouçam.
Louise Attaque no Last.fm
Louise Attaque (1997)
1. Amours
2. J'T'emmène au Vent
3. Ton Invitation
4. La La Brune
5. Les Les Nuits Parisiennes
6. L' L' Imposture
7. Savoir
8. Arrache-Moi
9. Lea
10. Fatigante
11. Tes Yeux Se Moquent
12. Vous Avez l'Heure
13. Toute Cette Histoire
14. Cracher Nos Souhaits
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louise attaque 1997.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es
Comme on a dit(2000)
1. Qu'est-ce qui nous tente
2. Tu dis rien
3. Sans filet
4. D'amour en amour
5. Tout passe
6. L'intranquillité
7. Comme on a dit
8. Pour un oui, pour un non
9. Faut se le dire
10. La plume
11. Justement
12. La ballade de basse
13. Du nord au sud
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Comme on a dit.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es
À Plus Tard Crocodille (2005)
1.La La Traversée du Désert
2.Revolver
3.Shibuya Station
4.Sean Penn, Mitchum
5.Si l'On Marchait Jusqu' à Demain
6.Salomé
7.Si C'Etait Hier
8.Oui, Non
9.Nos Sourires
10.Depuis Toujours
11.À l'Envers
12.Manhattan
13.See You Later Alligator
14.La La Nuit
15.Oui, Non, Encore?
16.Est-Ce Que Tu M'Aimes Encore?
17.La La Valse
18.Ça M'Aurait Plus
Download:
à plus tard crocodille.megaupload
à plus tard crocodille.rapidshare >> pass: vermicida_para_vagos.es
Fonte dos downloads - Blog Indi.E.geste
Mais show dos Besouros da Praia!
Agora ninguém nos pára!

- Dia 13 de Maio, às 23 horas no Drakkar.
- Dia 16 de Maio, às 13 horas na Beira-Mar Norte em um evento do Centro Educacional Menino Jesus (CEMJ).
- Dia 6 de Junho, às 23 horas no Drakkar, na festa da 5ª fase da Moda - UDESC.
- Dia 9 de Julho, às 12 horas na arena do CEART - UDESC no projeto Misturada do CAMUS (CA da Música).

- Dia 13 de Maio, às 23 horas no Drakkar.
- Dia 16 de Maio, às 13 horas na Beira-Mar Norte em um evento do Centro Educacional Menino Jesus (CEMJ).
- Dia 6 de Junho, às 23 horas no Drakkar, na festa da 5ª fase da Moda - UDESC.
- Dia 9 de Julho, às 12 horas na arena do CEART - UDESC no projeto Misturada do CAMUS (CA da Música).
Show da Besouros da Praia
A banda mais vaidosa e bem trabalhada de Floripa quando se tratando de fidelidade aos Beatles e aos Beach Boys, a Besouros da Praia, está de volta pra homenagear e eternizar as duas maiores e mais influentes bandas de rock de todos os tempos!

No centrinho da Lagoa da Conceição, o pico mais badalado de toda Floripa.
Ou ié!

No centrinho da Lagoa da Conceição, o pico mais badalado de toda Floripa.
Ou ié!
Ae! Finalmente consegui trocar o template por algum que não esses sem graça do Blogspot.com. Consegui uma vírgula, né? Quem fez tudo foi a minha amadíssima namorada, eu só consegui resolver os problemas com as acentuações que nós estávamos tendo. E eu cosegui outra vírgula, consegui informação com uma menina no Orkut que me deu o código de HTML que me salvaria.
É isso ae!
Sábado eu vou tocar no Na Pilha, na Tv Com, às 18h, com a banda Não Contém Glúten. Votem na gente!
E dia 10 de Novembro, no Iate Casablanca, tem o Forrock Universitário II com as bandas Imprensa Marrom e Besouros da Praia! Não percam esta! 10 pila, ingresso comigo ou com a Letícia, ou com o Dé, ou com o Otávio, ou com o Massa, ou com o Bruno, ou com a Ângela, ou com o Bereta, ou com o.... acho que só.
É isso ae!
Sábado eu vou tocar no Na Pilha, na Tv Com, às 18h, com a banda Não Contém Glúten. Votem na gente!
E dia 10 de Novembro, no Iate Casablanca, tem o Forrock Universitário II com as bandas Imprensa Marrom e Besouros da Praia! Não percam esta! 10 pila, ingresso comigo ou com a Letícia, ou com o Dé, ou com o Otávio, ou com o Massa, ou com o Bruno, ou com a Ângela, ou com o Bereta, ou com o.... acho que só.
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