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cereja azul
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Gaveta da Cereja Azul
(2011) Mixtape
(2009); desenho de capa de Noara Quintana.
(2000- 2007) Uou...
(2009); desenho de capa de Noara Quintana.
(2000- 2007) Uou...
Serrote no umbigo do bezerro faminto
eu tentei ser querido
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
Eu quero ser uma estrela da pedra, neném.
"I wanna be a rockstar" é um grito por liberdade tão urgente à adolescência que exterioriza a angústia pelo gutural, pelo berro: por nossa arma mais primitiva, anterior à própria linguagem, quase blablação não fosse o significado da frase na língua inglesa. O personagem rockstar foi o boêmio dos anos 90 (a música foi composta em 2002, portanto o personagem fantasioso do rockstar é como um resquício diurno, como se a década anterior fosse a "aurora" de minha vida atual; como se fosse o dia, que forma todo o inconsciente obscuro, a noite em mim, que alucina, sonha, com o ser rockstar nos anos 2000), o anarquista, o poeta, por quem as mulheres se atraíam apesar das roupas surradas e rasgadas (seria justamente por isso que elas se atraíam? por parecer que precisam de mães, os rockstars? desejavam se sentir, com eles, a mais poderosa das mulheres: a mãe? cuidando dessa criança desamparada e angustiada que é o rockstar).
Quando grito o que quero ser em outra língua imediatamente explicito (fico nu) que quero ser outra coisa que não isso que forçosamente sugere minha língua materna, minha mãe: quero renunciar a mãe, superar o desamparo, tornar-me o falo invejado; quero dominar a mãe, e por isso quero ser rockstar, possuir, dominar muitas mulheres que se atreverem a serem minhas mães. Grito ao contrário do que me foi dado durante toda minha formação de sujeito, meu espírito torna-se leão e grita o sagrado "não!" do Zaratustra de Nietzsche.
"I don't want to hate, I don't wanna blame". Sou assim violento justamente por não querer sentir esse ódio por quem me tornei; e também não quero culpar ninguém, não me cabe culpar, sei que sou quem sou só por ser quem sou e isso não diz respeito a ninguém se não eu mesmo e, como não sou mais crstão, não quero sê-lo, não me culpo. Mas falo sempre na negativa, por isso tenho que ser agressivo, tenho que exteriorizar essa dor em força, ação positiva contra o discurso-negativo: tenho que ser dialético para evoluir. "Listen what they say, what I told you: I wanna be a rockstar, baby. I wanna be a rockstar". Eu não tenho assunto, é apenas isso que desejo: ser um rockstar, tudo o mais é alucinação: apenas escute, escute... Mais uma grosseria minha, outra agressividade: chamo tua atenção, peço para que me escute, para então gritar em teus ouvidos. "Your life's so swell, well I don't really wanna be like that". Pois é justo isso: não quero ser bacana, não quero ser o bom vizinho, o que dá presentes à namorada somente nos aniversários, quero ser o amante! quero ser o poeta! (sei que Werther me entenderia) prefiro morrer a ser bacana (por fim a morte, sempre a morte no final, e somente com a morte se pode acabar). Para mostrar que sei ser rockstar e que faço o que bem quiser eis que transformo a música em salsa, mas mantenho a mesma harmonia foi grunge, depois mais esta outra coisa (que era de meu amigo e que me foi dado com carinho por ele, mas que nunca será meu, e que por transferência me compadeço e me aproprio, agrego ao meu discurso; com a ajuda de meu amigo me torno essa outra coisa que quero ser, e como o amor, bem pode ser ele que me torno) que não respeita a harmonia, sobe e desce cromaticamente, que se fortalece em dinâmica, de pouco em pouco, e cada vez mais, ralenta e... explode! em Tom Jobim. Ah, Tom... não quero sentir ódio, não quero culpar, escute... eu quero ser você! Só que do meu jeitinho. Ainda não sei qual é, por isso grito, por angústia, mas escute... estou tentando.
Eu vou ser um rockstar antes que eu morra.
Até que isso me mate, como o fez com todos os outros rockstars, boêmios, poetas, artistas e amantes: quero morrer de amor, não de ódio e culpa, de ser bacana.
o que se dá
você é
coisa mais querida
moça mais sabida
que ja ví
muito mais
linda que outras todas
pena que não gosta
de mim
você é
coisa mais gostosa
moça mais dengosa
dentre mil
quando sai
faz dos caras prosa
pena que essa história
não me diz
nós bem
vamos saber
que bom
é se viver
e experimentar
o que se nos dá
e o que é bom
não se quer
mais e mais
se quer
bem e bem
coisa mais querida
moça mais sabida
que ja ví
muito mais
linda que outras todas
pena que não gosta
de mim
você é
coisa mais gostosa
moça mais dengosa
dentre mil
quando sai
faz dos caras prosa
pena que essa história
não me diz
nós bem
vamos saber
que bom
é se viver
e experimentar
o que se nos dá
e o que é bom
não se quer
mais e mais
se quer
bem e bem
A mesa redonda, o vômito e a imbecilidade de quem já deveria estar morto.
Em baixo de uma foto sua, com os olhos caídos, mirando qualquer coisa, provavelmente de olhar desfocado, o braço jogado por cima da mesa de qualquer jeito, Roland Barthes assim define o tédio: a mesa redonda. Um espaço de debate, democrático, em que todo mundo, sentado lado a lado, tem igual hierarquia, com semelhante peso de argumentação, torna-se, então, sedutor à quem agrada opinar como se isso fosse discutir. Opiniões são como regugitos: sente-se uma vontade irresistível (por isso se tenta resistir) de fazê-lo, e assim que feito se sente um alívio, mas ainda com a sensação de que há mais o que ser vomitado. Assistindo essa cena grotesca, quem está a volta se comove e passa também se enojar, regugitar e opinar. Falam de si como se seu enjoô fosse melhor fundamentado, como se sua opinão tivesse base em doença mais grave. Vomita-se: "eu acho isso"; "com minha mãe aconteceu assim"; "acredito que seja melhor"; "pra mim isso é ruim". Mas se tem pena, então se encara esse esforço de falar de si como um apoio, uma permissão para possíveis erros. Pensam todos: "Que humilde, admite que é sua e somente sua opinião, pois não quer impor nada a ninguém." Enquanto, na realidade, toda opinião de mesa redonda é fruto de uma comoção, afecção causada por todo o regugito explicitado até o momento de se dar a opinião, não reflexo de humildade, como se fosse um argumento fundamentado, mas inocentado pela variável "pra mim é assim, pra ti pode não ser".
A opinião é diferente do palpite. Palpite é uma sugestão que pode ser, sem ofensas, ser negado. A opinião quando negada é ofensiva, pois nega-se junto o próprio sujeito falante, como se o passar mal dele não valesse; o esforço de tirar aquele mal-estar do corpo é invalidado por alguém que diagnostica, ou simplesmente aponta (sem necessariamente definir) que não se passa de hipocondria, vontade de chamar atenção, desejo adolescente de se mostrar sujeito de opinião (opinião nasce na adolescência, podendo se desenvolver como argumento ou não). A única forma de fundamentar uma opinião é domindando a oratória (um palpite deve ter referências empíricas, argumentos referiencial teórico), e somente pela habilidade de se falar bem é que se convence de que uma opinião vale mais que outra (porque na realidade opinião não tem valor, como dois vendedores, vendendo o mesmo produto, convence o consumidor de que, por algum motivo quase místico, se o produto for comprado com ele, vale mais). Esta é uma habilidade que se aprende defendendo-se dos pais, professores, tratando com muita gente, sendo obrigado a vender (oferecer) produtos (ideias) dos quais não se tem certeza do valor, como é caso de uma banda ruim, e que sabe que sua música é ruim, ou melhor, limitada. É importante também que a opinião tenha um único (ou ao menos, limitado) público alvo, e pra isso é deveras importante que a estética da opinião (opinião de direita, esquerda, anarquista, de artista, religoso, advogado moralista, advogado liberal, jornalista que denuncia, jornalista que critica, jornalista otimista, etc.) seja precisamente definida, limitada. Em uma análise simplória por vias marxistas podemos dizer que uma pessoa de opinião é presa à uma ideologia (sempre se está preso à uma ideologia), uma falsa consciência, e que toda sua opinião serve à uma classe em detrimento de outra (como um metaleiro que defende sua música em detrimento ao funk carioca); podemos ser mais naturalistas e dizer que é a opinião é forma de marcação territorial, e de esforço de preservação da sua espécie (novamente o mesmo exemplo do metaleiro querendo sobreviver tendo que destruir, e arrancar o território do funkeiro); podemos também ser interpretativos e dizer que essas opiniões são verdadeiras dependendo da visão de mundo, do "ser-no-mundo" de cada sujeito. Não importa, o que se deve salientar é que não existe, de fato, opinião melhor.
No entanto, discute-se nessas mesas redondas a fim de chegar a um consenso acerca de assuntos polêmicos (assuntos que geram combate, se considerarmos a etimologia da palavra "polêmica": Do grego πολεμικός (polemikós) (el), "relativo a guerra", de acordo com o Wikicionário), ou seja as opiniões contrárias são sempre espécie de tiros disparados em direção do outro. Quando finalmente se chega à conclusão sobre algum assunto, tem-se um minuto de silêncio por todos aqueles que morreram em guerra, e para que cada um possa rever seu mundo, suas ideias, e se preparar para pensar sobre o que será discutido a partir do que foi decidido. Pode acontecer de algum infeliz, que talvez estivesse de reserva, ou injuriado de outro combate, ou simplesmente ocupado com outras tarefas, que não pôde comparecer à mesa redonda anterior, lançar tiro contra um assunto que já havia sido assinado por todos, mesmo contrariados, no tratado pós-guerra, mas como se pode esperar de uma mesa redonda, o aspecto guerreiro das discussões fica apenas em âmbito metafórico, e um sujeito qualquer pode pegar aquele tiro, pode interromper aquela opinião afim de impedir que toda aquela antiga discussão polêmica se repita. No entanto isso desencadeia todo um mal-estar no sujeito negado (opinião negada, sujeito negado, doença invalidada, falsidade identificada, identidade adolescente abalada) o que agencia uma série de reações. Como se trata de um aspecto adolescente, tal qual é a opinião, a reação se faz por meio também adolescente: "Vai tomar no cu", poderiam dizer, justamente porque uma opinião não é fundamentada, e quando se argumenta (fundamenta) contra uma opinião, o sujeito contrariado sente-se raivoso, e dispara ofensas por se sentir ofendido (nada ofende mais um adolescente que ter sua opinião invalidada, porque isso é ter toda sua inédita identidade negada, e formação da identidade, dizem, é justamente o que define a adolescência).
Ainda assim, deve-se fazer um esforço para estar presente em mesas redondas, porque, por milagre ou por amadurecimento, pode aparecer assuntos interessantes, relevantes, bem fundamentados, que são passíveis de reflexão, como por exemplo este: um adulto contrariado manda outro tomar no cu. O que foi esse "tomar no cu"? O que se quer quando se manda um outro "tomar no cu"? O que significa para ele, e o que ele imagina que significa para o outro, "tomar no cu"? Talvez ele imaginasse ali ganhar respeito dos outros que já se sentiram contrariado, ou ao menos apoio deles. Talvez neste momento ele estivesse, de fato, desistindo de tentar argumentar, já que sua opinião - ele mesmo - havia sido contrariado. Disse ele que não era a primeira vez que tinha sido contrariado daquela maneira, ou seja: a quantidade importa. Claro, ele é um sujeito que se ofende, e a ofensa, como paixão triste que é, ocupa um espaço no sujeito, por isso quanto mais vezes ofendido, pior é a qualidade da ofensa, pois pesa cada vez mais no sujeito. Os argumentos contrariados não são ofendidos, porque é preciso que o contra-argumento seja bem fundamentado também, e quando fundamentado se torna real, então pouco importa quem tem razão, pois se sabe que cada um tem sua razão. Todo o esforço pra se manter, e impor, uma opinião, mostra um sujeito frágil (por isso cheio de escudos) e preconceituoso. O pré-conceito, como nos denuncia Nietzsche, é um pré-juízo: o que não entra em meus conceitos pré concebidos, não entra em meu mundo, por isso perco este "algo novo" que tenta entrar em meu mundo e me afetar, e por fim, como o perco, tenho prejuízo. Pessoas preconceituosas, por ter para si um mundo pequeno, se esforçam mais para encontrar quem possa fazer parte de seu mundo (por isso o esforço de uma banda de Hardcore de tocar com outra banda de Hardcore), pois assim gera-se uma ilusão de que o mundo aumenta pelo aumento do número de pessoas naquele mesmo mundo: mundo grande é mundo cheio de gente; mas para quem se evita ter preconceitos, percebe-se que um mundo é feito de muito mais que simplesmente gente, quem dirá por gente que tem um mundo igual (juntas duas pessoas que já moram na mesma casa não faz aumentar a casa, a família, a variedade genética, etc): o esforço de quem evita o preconceito é aumentar cada vez mais esse mundo, que é o próprio esforço de todo o conhecimento: conhecer cada vez mais. Por isso todo preconceituoso é ignorante (ignora e exclui o que não passa pelo critério de seus conceitos), e, enfim, imbecil.
Já diz o nome da banda: se não mais prestar, pode deixar morrer. Faz 20 anos que se esforçam pra sobreviver.
A opinião é diferente do palpite. Palpite é uma sugestão que pode ser, sem ofensas, ser negado. A opinião quando negada é ofensiva, pois nega-se junto o próprio sujeito falante, como se o passar mal dele não valesse; o esforço de tirar aquele mal-estar do corpo é invalidado por alguém que diagnostica, ou simplesmente aponta (sem necessariamente definir) que não se passa de hipocondria, vontade de chamar atenção, desejo adolescente de se mostrar sujeito de opinião (opinião nasce na adolescência, podendo se desenvolver como argumento ou não). A única forma de fundamentar uma opinião é domindando a oratória (um palpite deve ter referências empíricas, argumentos referiencial teórico), e somente pela habilidade de se falar bem é que se convence de que uma opinião vale mais que outra (porque na realidade opinião não tem valor, como dois vendedores, vendendo o mesmo produto, convence o consumidor de que, por algum motivo quase místico, se o produto for comprado com ele, vale mais). Esta é uma habilidade que se aprende defendendo-se dos pais, professores, tratando com muita gente, sendo obrigado a vender (oferecer) produtos (ideias) dos quais não se tem certeza do valor, como é caso de uma banda ruim, e que sabe que sua música é ruim, ou melhor, limitada. É importante também que a opinião tenha um único (ou ao menos, limitado) público alvo, e pra isso é deveras importante que a estética da opinião (opinião de direita, esquerda, anarquista, de artista, religoso, advogado moralista, advogado liberal, jornalista que denuncia, jornalista que critica, jornalista otimista, etc.) seja precisamente definida, limitada. Em uma análise simplória por vias marxistas podemos dizer que uma pessoa de opinião é presa à uma ideologia (sempre se está preso à uma ideologia), uma falsa consciência, e que toda sua opinião serve à uma classe em detrimento de outra (como um metaleiro que defende sua música em detrimento ao funk carioca); podemos ser mais naturalistas e dizer que é a opinião é forma de marcação territorial, e de esforço de preservação da sua espécie (novamente o mesmo exemplo do metaleiro querendo sobreviver tendo que destruir, e arrancar o território do funkeiro); podemos também ser interpretativos e dizer que essas opiniões são verdadeiras dependendo da visão de mundo, do "ser-no-mundo" de cada sujeito. Não importa, o que se deve salientar é que não existe, de fato, opinião melhor.
No entanto, discute-se nessas mesas redondas a fim de chegar a um consenso acerca de assuntos polêmicos (assuntos que geram combate, se considerarmos a etimologia da palavra "polêmica": Do grego πολεμικός (polemikós) (el), "relativo a guerra", de acordo com o Wikicionário), ou seja as opiniões contrárias são sempre espécie de tiros disparados em direção do outro. Quando finalmente se chega à conclusão sobre algum assunto, tem-se um minuto de silêncio por todos aqueles que morreram em guerra, e para que cada um possa rever seu mundo, suas ideias, e se preparar para pensar sobre o que será discutido a partir do que foi decidido. Pode acontecer de algum infeliz, que talvez estivesse de reserva, ou injuriado de outro combate, ou simplesmente ocupado com outras tarefas, que não pôde comparecer à mesa redonda anterior, lançar tiro contra um assunto que já havia sido assinado por todos, mesmo contrariados, no tratado pós-guerra, mas como se pode esperar de uma mesa redonda, o aspecto guerreiro das discussões fica apenas em âmbito metafórico, e um sujeito qualquer pode pegar aquele tiro, pode interromper aquela opinião afim de impedir que toda aquela antiga discussão polêmica se repita. No entanto isso desencadeia todo um mal-estar no sujeito negado (opinião negada, sujeito negado, doença invalidada, falsidade identificada, identidade adolescente abalada) o que agencia uma série de reações. Como se trata de um aspecto adolescente, tal qual é a opinião, a reação se faz por meio também adolescente: "Vai tomar no cu", poderiam dizer, justamente porque uma opinião não é fundamentada, e quando se argumenta (fundamenta) contra uma opinião, o sujeito contrariado sente-se raivoso, e dispara ofensas por se sentir ofendido (nada ofende mais um adolescente que ter sua opinião invalidada, porque isso é ter toda sua inédita identidade negada, e formação da identidade, dizem, é justamente o que define a adolescência).
Ainda assim, deve-se fazer um esforço para estar presente em mesas redondas, porque, por milagre ou por amadurecimento, pode aparecer assuntos interessantes, relevantes, bem fundamentados, que são passíveis de reflexão, como por exemplo este: um adulto contrariado manda outro tomar no cu. O que foi esse "tomar no cu"? O que se quer quando se manda um outro "tomar no cu"? O que significa para ele, e o que ele imagina que significa para o outro, "tomar no cu"? Talvez ele imaginasse ali ganhar respeito dos outros que já se sentiram contrariado, ou ao menos apoio deles. Talvez neste momento ele estivesse, de fato, desistindo de tentar argumentar, já que sua opinião - ele mesmo - havia sido contrariado. Disse ele que não era a primeira vez que tinha sido contrariado daquela maneira, ou seja: a quantidade importa. Claro, ele é um sujeito que se ofende, e a ofensa, como paixão triste que é, ocupa um espaço no sujeito, por isso quanto mais vezes ofendido, pior é a qualidade da ofensa, pois pesa cada vez mais no sujeito. Os argumentos contrariados não são ofendidos, porque é preciso que o contra-argumento seja bem fundamentado também, e quando fundamentado se torna real, então pouco importa quem tem razão, pois se sabe que cada um tem sua razão. Todo o esforço pra se manter, e impor, uma opinião, mostra um sujeito frágil (por isso cheio de escudos) e preconceituoso. O pré-conceito, como nos denuncia Nietzsche, é um pré-juízo: o que não entra em meus conceitos pré concebidos, não entra em meu mundo, por isso perco este "algo novo" que tenta entrar em meu mundo e me afetar, e por fim, como o perco, tenho prejuízo. Pessoas preconceituosas, por ter para si um mundo pequeno, se esforçam mais para encontrar quem possa fazer parte de seu mundo (por isso o esforço de uma banda de Hardcore de tocar com outra banda de Hardcore), pois assim gera-se uma ilusão de que o mundo aumenta pelo aumento do número de pessoas naquele mesmo mundo: mundo grande é mundo cheio de gente; mas para quem se evita ter preconceitos, percebe-se que um mundo é feito de muito mais que simplesmente gente, quem dirá por gente que tem um mundo igual (juntas duas pessoas que já moram na mesma casa não faz aumentar a casa, a família, a variedade genética, etc): o esforço de quem evita o preconceito é aumentar cada vez mais esse mundo, que é o próprio esforço de todo o conhecimento: conhecer cada vez mais. Por isso todo preconceituoso é ignorante (ignora e exclui o que não passa pelo critério de seus conceitos), e, enfim, imbecil.
Já diz o nome da banda: se não mais prestar, pode deixar morrer. Faz 20 anos que se esforçam pra sobreviver.
tanto faz
então, ela foi... nada mais aconteceu
como se o "nós dois" não morreu
viveu de alegria e tristeza da mesma maneira
que aqui, só menti e inventei o que sentir
assim, triste enfim não pensei mais em ti
e pensou em outros tantos
chorou outros prantos
e quem sabe pensou até em mim
tanto faz
quem já viu
tão gordo elefante
lendo john fante
pra mim
isso é tudo fantasia
tanto faz
pra onde ir
se torto ou elegante
bebendo espumante
sem mim
isso é tudo historinha
da princesa e do carinha
que acaba quando o amor começar
tanto faz
pra onde ir
se inevitável chegarmos ao fim
só então perceber
e pelo caminho andar a se perder
só chegar quando o amor acabar
só acabar quando o amor chegar
só amar quando o fim, enfim, chegar
como se o "nós dois" não morreu
viveu de alegria e tristeza da mesma maneira
que aqui, só menti e inventei o que sentir
assim, triste enfim não pensei mais em ti
e pensou em outros tantos
chorou outros prantos
e quem sabe pensou até em mim
tanto faz
quem já viu
tão gordo elefante
lendo john fante
pra mim
isso é tudo fantasia
tanto faz
pra onde ir
se torto ou elegante
bebendo espumante
sem mim
isso é tudo historinha
da princesa e do carinha
que acaba quando o amor começar
tanto faz
pra onde ir
se inevitável chegarmos ao fim
só então perceber
e pelo caminho andar a se perder
só chegar quando o amor acabar
só acabar quando o amor chegar
só amar quando o fim, enfim, chegar
Fragmento ideia escrito a partir de uma reflexão acerca dos primeiros minutos de L'abácédaire de Gilles Deleuze
Um bom artista - músico, plástico, escritor - deve contar uma história, ter um discurso, inventar um mundo (um mundo somente seu, do seu devir), que não somente o mundo de todo o mundo. Enfim, todo artista deve ser um bom escritor, romancista: não deve somente coisas redundantes, fúteis, comuns - "comum" como sendo de todo o mundo e não somente dele, não é propriedade, é o senso comum -, não deve simplesmente explanar um fato familiar, cotidiano, real. Quem conta o que já está ali é um repórter, é como quem simplesmente explica o que entendeu: não há, aí, criatividade, mas lógica. Encontra-se meios lógicos de fazer aqueles fatos cotidianos e comuns parecerem fascinantes por parecerem outros mundos: novos mundos para os leitores, mas não para o escritor.
Um real artista, ou simplesmente artista, conta uma história inédita inclusive para si mesmo.
Ps. Achei lindo o Deleuze chamando o Guattari pelo primeiro nome: tanta intimidade, carinho, respeito ativo, amizade, amor.
Acabou tudo mal
quem me criou nunca te viu
nem me quis ou quis me ver
quem me soltou eu não vi...
"não sei se eu,
se meu,
se faz
dou um boi para ver qualquer um que não chorar
não choras mais
não foi pra isso que nós..."
quem me pensou 'inda se viu
negado que não quis se ter
quem me dobrou eu não quis.
"... demos tudo pra ti. pegamos tudo pra mim. se pensa, se cria uma ideia e torna real."
não sei se dei um fim.
hoje mal me vejo rir.
se tinha, era minha, a ideia.
acabou tudo mal.
Se você me quiser, meu bem
Eu quero ter alguém que queira ter alguém que queira também
Querer mais que querer demais
Eu quero ter um bem-me-quer, não queira me querer mal-me-quer
Se você você me quiser, meu bem, queira bem que eu vou querer também
Eu quero alguém alguém capaz de querer ainda mais
Me queira como quem não quer nada
Se você você me quiser, meu bem, queira bem que eu vou querer tão bem
Querer mais que querer demais
Eu quero ter um bem-me-quer, não queira me querer mal-me-quer
Se você você me quiser, meu bem, queira bem que eu vou querer também
Eu quero alguém alguém capaz de querer ainda mais
Me queira como quem não quer nada
Se você você me quiser, meu bem, queira bem que eu vou querer tão bem
acordei mal hoje. não mal, mas dormi pouco, então acordei com aquela sensação de que queria continuar dormindo. então fui à aula do professor Sérgio Freitas pra apresentar minha discussão sobre o "Analazying Popular Music" do Philip Tagg. poucas coisas me fazem realmente feliz do que conversar sobre alguma coisa que me interessa com alguém que entende. há tempos nada me dava tanta alegria quanto aquele seminário, as correções do professor, o diálogo. depois fui para aula de estúdio com o professor Óliver Desidério. e, das poucas coisas que me fazem realmente feliz, mostrar minha própria música para alguém que quer ouvir, e que presta atenção, e que se deixa ser afetado, e que não reclama, nem sugere, mas critica minha música é outra delas. adorei ver o rosto de encantamento e estranhamento do professor e dos meus colegas no refrão de "Se você me quiser, meu bem".
esse texto tá mal escrito porque eu tou com preguiça.
Cereja Azul sobre música pop contemporânea.
"Britney Spears vai lançar disco novo em dezembro, mês de seu aniversário inclusive. a matéria do site Popline divulga apenas isso: que ela lançará disco novo, não fala sobre música, sobre clipe, inclusive o empresário da moça diz que está evitando criar boatos sobre o novo trabalho - enquanto alguns artistas precisam de cada vez mais boatos, que as pessoas pensem e discutam sobre o que viu, que o artista esteja nos TT do Twitter, a Britney, e até deve, evitar que se fale sobre ela, para, na realidade, deixar que os fãs criem suas próprias ideias, suas próprias especulações sobre o que ela vai fazer. claro, ela já usou muito dos boatos e do imaginário para se divulgar, Britney (ou seus produtores e empresário, o que for) e Michael Jackson são gênios da publicidade."
ow yeah.
começaram as gravações da cereja azul 2010! terminei hoje "A Rosa e o Jasmim", musica do compositor, e meu vô, Zininho.
ficou demais, outra hora posto aqui.
começaram as gravações da cereja azul 2010! terminei hoje "A Rosa e o Jasmim", musica do compositor, e meu vô, Zininho.
ficou demais, outra hora posto aqui.
Cereja Azul
É isso aí, galera! Fiz um MySpace novo pra Cereja Azul!
Ouçam as músicas e me deêm um feedback!
Ouçam as músicas e me deêm um feedback!
É isso aí, galera.
Faz tempo que eu quero gravar minhas músicas, na realidade eu as gravo, mas com uma qualidade que chega a me dar vergonha. Tudo que eu ja gravei tá no Trama Virtua da Cereja Azul, e tem alguma coisa também o My Space da Cereja Azul. Acontecesse que eu marquei no estúdio da UDESC pra gravar na última Sexta, mas o bolsista desistuiu na última hora, nessa sexta agora EU VOU entrar e o andamento do projeto eu vou divulgar no Blog do projeto Cereja Azul.
Espero que dessa vez dê certo. De verdade.
Faz tempo que eu quero gravar minhas músicas, na realidade eu as gravo, mas com uma qualidade que chega a me dar vergonha. Tudo que eu ja gravei tá no Trama Virtua da Cereja Azul, e tem alguma coisa também o My Space da Cereja Azul. Acontecesse que eu marquei no estúdio da UDESC pra gravar na última Sexta, mas o bolsista desistuiu na última hora, nessa sexta agora EU VOU entrar e o andamento do projeto eu vou divulgar no Blog do projeto Cereja Azul.
Espero que dessa vez dê certo. De verdade.
(a)Onde
No aroma da manhã
Noaradoar seco do sertão
No adeus ao pai e à mãe
No aceno de uma mão
No ar alto vai além
No "ainda bem, meu bem"
No nocivo vai e vem
No arrependimento tem
Tudo se torna um
Lugar tão comum
Na bendita paz
Que não satisfaz
No armário um moleton
No acorde sem um tom
No arroz e no feijão
No artigo sem correção
No ar criativo eu sou
No ar a ti todo me dou
No café e no jantar
No dormir e no acordar
Se não há nenhum
Como ter algum
Ninguém é capaz
Então só diz e não faz
Crise literária e novo blog
Fiz um blog novo para o mais preguiçoso, nerd, mau humorado e querido personagem desse país!
http://tirinhasfleumatico.blogspot.com

Aproveitem, divulguem e comentem!
-//-
Olha o que eu te escrevi outro dia
Se não foi por amor por que seria?
Mas eu sou assim, nem me diz
Que eu tenho que deixar de ser tão ingênuo
E dizer que te amo
-//-
É uma coisa meio assim estar aqui
Meio boa, mas também meio ruim
Uma casa meio grande para mim
Meio feia, mas fui eu que quis assim
E escutar e repetir tudo aquilo que já foi dito e repetido
É uma noiva toda linda pra no fim
Meio gorda, desistir de dizer sim
Ou uma goiva na madeira ou no capim
Afiada não conseguir mais esculpir
Sem trabalhar e repetir tudo aquilo que já foi feito e repetido
Se é jazz ou samba ou é rock japonês
Não me faz lá tanta quanto já fez
http://tirinhasfleumatico.blogspot.com
Aproveitem, divulguem e comentem!
-//-
Olha o que eu te escrevi outro dia
Se não foi por amor por que seria?
Mas eu sou assim, nem me diz
Que eu tenho que deixar de ser tão ingênuo
E dizer que te amo
-//-
É uma coisa meio assim estar aqui
Meio boa, mas também meio ruim
Uma casa meio grande para mim
Meio feia, mas fui eu que quis assim
E escutar e repetir tudo aquilo que já foi dito e repetido
É uma noiva toda linda pra no fim
Meio gorda, desistir de dizer sim
Ou uma goiva na madeira ou no capim
Afiada não conseguir mais esculpir
Sem trabalhar e repetir tudo aquilo que já foi feito e repetido
Se é jazz ou samba ou é rock japonês
Não me faz lá tanta quanto já fez
Baixe o último sucesso da Cereja Azul - "Victory"! Uma das únicas a mais de 100 bpm. ;D~
http://rapidshare.com/files/13569095/cereja_azul_-_victory.mp3.html
Letra:
I'm afraid of roachs
They can eat your face
'till the skull
And the happiest guy
I've ever met was blond
He told me
I can dance under the rain
'cause it's ok
He told me
Meet me at the park around ten
If you're insane
I am upset
There's this girl that pisses me off
You know who
Roachs can climb walls
And now I am so afraid
But I can take
Yeah, I can take
I will take my shoe now
Tradução:
Eu tenho medo de baratas
Elas podem comer seu rosto
Até a caveira
E o cara mais feliz
Que eu já conheci era loiro
Ela me disse
Eu posso dançar embaixo da chuva
Porque está tudo bem
Ele me disse
Encontre-me na praça por volta das dez
Se você é louco
Eu estou chateado
Há essa garota que me enche o saco
Você sabe quem
Baratas podem escalar paredes
E agora eu tou com tanto medo
Mas eu posso pegar
Sim, eu posso pegar
Eu vou pegar meu sapato agora
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Letra:
I'm afraid of roachs
They can eat your face
'till the skull
And the happiest guy
I've ever met was blond
He told me
I can dance under the rain
'cause it's ok
He told me
Meet me at the park around ten
If you're insane
I am upset
There's this girl that pisses me off
You know who
Roachs can climb walls
And now I am so afraid
But I can take
Yeah, I can take
I will take my shoe now
Tradução:
Eu tenho medo de baratas
Elas podem comer seu rosto
Até a caveira
E o cara mais feliz
Que eu já conheci era loiro
Ela me disse
Eu posso dançar embaixo da chuva
Porque está tudo bem
Ele me disse
Encontre-me na praça por volta das dez
Se você é louco
Eu estou chateado
Há essa garota que me enche o saco
Você sabe quem
Baratas podem escalar paredes
E agora eu tou com tanto medo
Mas eu posso pegar
Sim, eu posso pegar
Eu vou pegar meu sapato agora
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