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2013
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Coqueiro sem coco, sol sem calor, chuva sem se precipitar demais.
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| Com o mesmo instrumento utilizado pra decepar os discordantes do império |
Dentro do carro em direção à praia, sob o ar(tifical) condicionado. Cruza Coqueiros inteiro, depois a avenida Beiramar inteira; pensa: ñ vejo a hora de chegar na praia!
Ñ fossem os valores completamente corrompidos, a noia atrás de grana epropriedade, Floripa seria toda uma praia gigante - mas ñ, hj é um grande estacionamento cercado de um depósito oceânico de excreções.
No condomínio onde moro, cujo nome fantasia homenageia meu avô e poeta mestre Zininho, cortaram algumas árvores que fazia divisa com o muro vizinho, me disseram q vão plantar palmeiras, essas árvores q têm por toda Beiramar e por todo Coqueiros, mas ñ dá coco nem sombra. Aliás, planta importada que também serve para enfeitar o interior do shopping flutuante sobre o mangue Iguatemi, a fim de parecer Miami afim de parecer algo caribenho.
Tá calor demais, e tá uma delícia. O Sol sabe o quanto esquentar quando, no eterno, giro a Terra se inclina e pede calor estável nalgum hemisfério; o Sol é inevitável, nosso solo de concreto e bueiro é que ñ o sabe receber. É como quando reclamam de chuva em excesso, e dizem ser esse o problema de cidades inundadas (ñ me surpreenderia que, como faz com os fenômenos psicológicos, a ciência invente de evitar o fenômeno em si, invente de tentar fazer ñ chover) e ñ na estrutura q compõe e mantém o problema: o mal planejamento de pedra e pedra e pedra urbana sem ter onde a precipitação realizar seu desejo de ser absorvida.
Eu moro a cem metros da praia, mas parece que morro a cem anos luz dela.
Imagem Green Power.
Fithos Luces Wecos Vinosec
As músicas da série Final Fantasy parecem as vezes remeter a outras. O tema do Cait Sith (VII) me lembra alguma coisa da pantera cor de rosa; a intro do VI me lembra o Zaratustra de Strauss. No entanto, o desenvolvimento dos temas por Uematsu deixam claro que são música inéditas, a referência clara pode ser uma espécie de homenagem, ou ironia.
Clicando na imagem você será redirecionado a um arquivo torrent com todas as músicas de todos os FF, recomendo, pelo menos, todos os Piano Collection.
neliz fatal
| "Alegre crise e um feliz novo medo" |
o centro de floripa está cintilante, luzes, cascatas de luzes, é uma coisa linda de se ver. foram instaladas caixas de som pelas principais ruas do centro com músicas relacionadas ao grande evento cristão da estação, natal. mas que coisa chata. por que não aproveitar o espaço público e compartilhar de outros afetos de verão? que também toque música cristã estadunidense, mas o que outras religiões estão celebrando nestes tempos? como são seus cantos? e como outras maneiras de se estar em conjunto - pois que muitos já não celebram mais o nascimento de jesus de nazaré no natal, mas aproveitam pra celebrar a família - cantam suas festas? dizem algumas coisas sobre um estado laico, poderia-se tocar música instrumental, floripa - e todo lugar deve ser assim - tem muitos compositores bons, instrumental, pop, rock, reggae... caminhar pelo centro ao som de jingle bells mais me dá vontade de estar em casa e escutar silêncio canto de passarinho. não bastasse o barulho dos carros, dos vendedores, ainda mais essa sufocante repetição de um natal invernoso, gordo e ostensivo estaunidense! ninguém precisa disso, pelo menos não precisamos de um estado gastando com isso, dessa forma.
| Franklin Cascaes na praça XV de novembro |
o presépio de franklin cascaes, atualmente sob a manutenção de jone de araújo é um ótimo exemplo do respeito à mitologia e à arte, à religião e à estética, ao local e ao geral. montaram também um inglu na praça xv (devem ter trazido neve da palhoça). e floripa está sempre assim, como mostra a foto, bonita na frente e sendo ajustada por trás. não há um segundo de silêncio nessa cidade, nunca houve, desde que nasci. barulho de construção, barulho de bagunça, de corrupção, e quem está aqui, tentando fazer uma coisa bonita, uma música nova, por exemplo, é sempre interrompido por um barulho insuportável de música de dinheiro.
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| Zininho no centro de Floripa |
mas é clima de natal, não arruine meu natal, disse a viuva chinesa antes de seu marido jogar-se do sétimo andar (em 7 de dezembro) por não aguentar mais as andanças pelo shopping atrás de sapatos. Andanças atrás de sapatos! esse é o capitalismo, correr atrás do próprio rabo, comer a própria merda.
rachel chêra-azedo
uruguai ñ tá legalizando nada, tá regulamentando um comércio que já existe. dizem q no brasil é 'ilegal', mas qm quer qqer produto sabe onde comprar e acha isso muito legal. legalizar cocaína e outras drogas sintéticas seria legalizar toda uma indústria de drogas, seria como expandir pra uso 'recreativo' os medicamentos que já fabricam. ou medicamentos anti-psicóticos são menos ofensivos pra saúde do que a maconha? regulamentar a produção e venda da maconha é permitir uma pessoa de crescer uma planta no fundo de casa, e ser assistencializada caso alguma coisa saia do controle; não encarcerada caso um pm (porcoimundo) malcomido decida usar seu uniforme, cacetete e falta de tato decida trabalhar. em amsterdã funcionou e funciona de forma diferente de como funcionará no uruguai. o próprio mujica já falou muito sobre o assunto em vário vídeos pelo youtube.
rachel, você é uma jornalista de meia tigela, formadora de opinião barata, mantedora e serviçal do status quo, nem deve ser tão bem remunerada, e por outro lado ainda acumula má fama.
bóra dar uma volta pelo uruguai pra dar uma relaxada, tem um chá por lá mais eficiente q esses anti-depressivos anti-libidinais q deves tomar por aí, nêga.
Esse negócio da mãe preta ser leiteira já encheu sua mamadeira, vá mamar noutro lugar
a rede bobo tá perdendo (perdeu faz tempo!) o senso do ridículo (do que ainda é digno de riso).
colocam uma branquela fantasiada de princesa cyberpunk no meio de um bando de macaco saltitante. Fantasias de macaco iguaizinhas umas às outras, tornando-se como q uma sombra pra aclarar ainda mais a figura central, a modelo, cantora, dançarina, apresentadora, a gaúcha que fala de amor e sexo. assim que a música acaba os macacos são convidados a se retirar, claro, pois o programa deve continuar.
o arranjo da música lembra os dos axés populares nos anos 1990, de massa. Sem muita dinâmica, a voz inexpressiva, forte o tempo todo, quase ñ se nota o texto, frases firmes e sem sentimento, quase sem sentido, o único sentido, parece ir em direção apenas ao refrão e ao espetáculo de luzes e movimento da televisão.
e pra fechar, com chave de estrume, o ciclo esquizofrênico da televisão, a ausência completa de sentido: a coreografia primata serviu apenas de introdução a um programa sobre amor e sexo. cada macaco no seu galho, eu não me canso de falar, use camisinha (?). se ainda fossem bonobos saltitando livremente... mas não, pessoas vestidas, de macaco. nunca assisti o programa, mas ainda deve ter algum tipo de competição sobre conhecimento sexual. coisa típica de chimpanzé q aprendeu a raciocinar: ao invés de dar marretada no outro, procura derrotá-lo, desterritorializá-lo outro inundando-o com o que acumulou-se de informação (clitóris! clitóris! clitóris!); não se a-prende para des-prender, mas para re-preender, manter-nos a todos na mesma situação opressora.
Van Dyke Parks ao vivo @ New York, 1992.
Van Dyke Parks trabalhou com Brian Wilson (Beach Boys) em 1994, no disco Oragen Crate Art (próximo dos 43 minutos do vídeo ele fala sobre querer trabalhar na música título do álbum com o compositor de Pet sounds), e no projeto de quase quarenta anos de gestação, Smile, lançado em 2004. Parks assina as parcerias nos arranjos e nas letras. Trabalhou também com Silverchair nos arranjos das músicas Across the night, Tuna in the brine - minha favorita - e Luv your life do disco Diorama de 2000, e nas músicas If you keep losing sleep, Those thieving birds Strange behaviour e All across the world no disco de 2007 Young modern. Tem sete discos lançados em seu nome, muito difíceis de encontrar na internet, o primeiro de 1968, Song Cycle, e o mais recente de 2013, Song Cycled.
Seus arranjos são elaborados e delicados, parecem sugerir um senso de humor e nos fazem sentir o prazer de ter as expectativas sofisticadamente frustradas. Como toda boa obra de arte causa estranhamento, ou encantamento; causa um medo, desejo. Escreve para instrumentos herdados da tal música erudita, orquestra completa, mais bateria, guitarra e também canta com uma voz firme e gentil. Seu grande charme, para mim, está na novidade harmônica sutil, nos fraseados longos, na imprecisão das cadências, e seus longos e carinhosos codas.
As letras contam histórias interessantes, inteligentes, ainda não prestei toda a atenção que a poesia merece...
Recomendo pra quem gosta de bons arranjadores e compositores como Tom Jobim, Beethoven, David Bowie, Jaques Morelenbaum, etc.
Digo que é o melhor do rock. Não deixa a dever a nenhum Beatles. Eu adoraria ter uma música arranjada por Van Dyke Parks.
Serrote no umbigo do bezerro faminto
eu tentei ser querido
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
(como estou estressado! irritado!
sonhei estapeava meus amigos
então, me dava conta - quando
reclamavam - do que estava fazendo
me jogava por cima deles e desabava
a chorar.)
achei que ela tinha gostado de mim
quem é aquele irmão de quem?
grande porcaria! o que vFim fazer aqui?
não foi pra sentir teus dedos, entrelaçados,
ausentes dos meus, nos dedos de outro quem.
a comida está boa, mas perdi o apeti
te.
(sonhei que gritava com meu pai, minha mãe
e que alívio! dava tapa na cara de meus amigos
perguntaram-me por quê? disse-lhe
pois não posso os mandar calarem as bocas!
ora, por que não? - chorei.)
como falo besteira. foi aí que me perdi?
me aprofundei n'algo lago ainda raso? ela
teve a cara de pau de me devolver a gravata
na frente dele - e eu
digo o quê? podia me convidar pra entrar,
falar qualquer coisa, que barba
comprida, que saia
linda, que maydade a sua,
a minha? ninguém é
de ninguém, mas sinto saudades.
sonhei estapeava meus amigos
então, me dava conta - quando
reclamavam - do que estava fazendo
me jogava por cima deles e desabava
a chorar.)
achei que ela tinha gostado de mim
quem é aquele irmão de quem?
grande porcaria! o que vFim fazer aqui?
não foi pra sentir teus dedos, entrelaçados,
ausentes dos meus, nos dedos de outro quem.
a comida está boa, mas perdi o apeti
te.
(sonhei que gritava com meu pai, minha mãe
e que alívio! dava tapa na cara de meus amigos
perguntaram-me por quê? disse-lhe
pois não posso os mandar calarem as bocas!
ora, por que não? - chorei.)
como falo besteira. foi aí que me perdi?
me aprofundei n'algo lago ainda raso? ela
teve a cara de pau de me devolver a gravata
na frente dele - e eu
digo o quê? podia me convidar pra entrar,
falar qualquer coisa, que barba
comprida, que saia
linda, que maydade a sua,
a minha? ninguém é
de ninguém, mas sinto saudades.
Justino
justin bieber cuspiu na cara de uma menina.
manifestantes puseram fezes de cavalo a porta da prefeitura de florianópolis.
tem gente que não entende q macacos joguem cocô uns nos outros.
justin bieber é rico, a menina cuspida vai ter q lavar seu rosto e passar o resto da vida lembrando de quando amava tanto alguém q este lhe cuspiu a face.
os faxineiros q limparam as fezes de cavalo da porta da prefeitura de florianópolis devem ter jogado alguns baldes d'água sobre a escada, vestidos com luvas de borracha, talvez usaram algum esfregão com algum tipo de sabão.
os macacos devem se lançar à água qnd acertados de fezes, eu sei q eu tomaria um banho caso alguém da minha espécie jogasse suas fezes sobre mim, ou de qualquer outra.
com exceção do exemplo do macaco, os outrs dois foram fatos, noticiados publicamente, via facebook.
o exemplo das fezes de cavalo foi de grande repercussão, houveram debates, pessoas se posicionaram politicamente - isso foi simbólico, ou, isso foi uma merda, obviamente-, o caso do justin bieber foi nojento, mas discutem isto politicamente?
ora, dado o acerto do tiro de bieber, sua própria excreção sobre a cara de uma menina que o olhava amavelmente, me parece muito mais significativo q o cocô de cavalo! os manifestantes revolucionários não atacam ninguém! quebram banco, quebram ônibus, jogam merda na cidade; bieber, produto (merda) capitalista, rei, dizem q é músico - canta bem, me dizem uns -, mas que vergonha! esse macaco albino deve fazer barulhos graciosos, feito uma garça gorda, mas nunca que canta bem, não da maneira como o canto me canta, o canto humano, canto devir passarinho - não existe devir dinheiro, não existe canto q cuspa em caras!
q desprezo tenho por essa coisa que chamam de música. isso ñ é música, é outra coisa. eu cuspo na cara do bieber! eu mesmo cago na frente da casa de quem defende o bieber e condena os manifestantes!
Fonte:
http://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-2379981/Justin-Bieber-lives-pop-brat-spits-balcony-crowd-adoring-fans.html
Discussão no grupo UFSC @ Facebook
Eu adoro discutir. Não sei bem o que é. Com certeza a psicanálise dirá alguma coisa a cerca da minha sexualidade oral, alguma fixação, gozo. E que gozo! Há dois dias vem rolando uma discussão muito legal no grupo do Facebook da UFSC sobre um ato de protesto em Floripa no qual representantes do Movimento Passe Livre jogaram merda de cavalo na escadaria do prédio onde fica o gabinete do prefeito. Começa a confusão por aí, a prefeitura fica num lugar, o gabinete do prefeito noutro. Copiei, inicialmente, apenas meus escritos no grupo, mas me parece um trabalho legal pegar toa a discussão, transformar cada debatedor num personagem, dar um jeito de escrever aquilo melhor. Vou colar ipsis literis o que escrevi no grupo.
I*
bóra segurar nossa própria merda até algum responsável aparecer, então, gustavo! mas espere aí, não é exatamente isso q acontece? eles vivem deixando correspondências pr'a gente, inclusive cobrando pra jogar nossas fezes na entrada da cidade, nós não podemos retribuir? não esqueçam do aspecto simbólico, talvez vcs não estejam usando totalmente suas capacidades metonímicas e metafóricas, bóra exercitar nossa abstração, colegas de academia.
II
querido, will, cavalos cagam pela cidade toda, teriam de limpar de um jeito ou de outro. tais mais precupado com a limpeza do território nobre q é a entrada da prefeitura? sabe o que ajudaria, o pessoal da limpeza, como vcs os estão chamando, não limpar. que tal?
III
e onde tá o problema? na merda largada ao chão, ou no poder exercido sobre os funcionário q são obrigados a limpá-la - q tb devem fazê-lo nos dos banheiros cagados pelos sagrados e limpos cus dos nobres políticos (q não são população, pelo q vcs tão me dizendo) que trabalham por ali, e em frente às suas casas, como em bairros com um péssimo saneamento básico, etc - ou caso contrário ele e sua são ameaçados de fome?
IV
mas eu ñ falei pra ñ limpar, falei q obrigar a limpar com ameaça de demissão é mais cruel q jogar cocô numa escadaria.
os 'seus próprios cérebros' estão tão atolados de merda à entrada lançada todo santo dia por essas tvzinhas e jornaizinhos q a raça gosta de ler, q sim, provavelmente os manifestantes tentaram sujar com os próprios cérebros cagados. sabe, gabriel, é isso que uma pessoa enfezada faz: fezes; melhor q ficar guardando tudo como uns parecem fazer.
ameaçar trabalhadores de fome com ordem, disciplina e todo o direito, tudo bem; jogar cocô de cavalo como forma de protesto já é vandalismo.
V
sim. eu tou preocupado com as intenções da manifestação, com o encontro entre militantes e trabalhadores, com as alianças entre grupelhos. e vcs com a limpeza do escritório do prefeito da cidade de vcs. é isso?
VI
ó, elias, ñ sou futurólogo, mas prevejo, com minha mais sincera intuição, q se a galera continuar achando pior o cocô na porta da prefeitura que as merdas nos outdoors, praias, mangues, tvs, escola, polícia, etc, acho q ñ prefeito nenhum vai se importar.
deixa eu mostrar o cocozão que jogaram no porta da minha casa há anos e eu ñ consigo limpar.
qnts de vcs têm carros? vou cagar na porta de cada um.
VII
foi uma ilustração, cena, é uma função da linguagem que alcança o sujeito por associação - metonímia, metáfora. se tu gosta de ler deves saber, acontece bastante em filmes também, o autor cria um personagem estereotipado afim de exagerar mesmo. ñ sei se elas merecem ter a porta cagada, mas que eu quero, eu quero, e a mim parecem merecer, como se fizessem muito parte dessa merda toda - corrupção, crime, prisão, loucura, neurose, histeria -, como se, com seus empreguinhos de merda, comprando seus nikes de merda, abastecendo seus carrinhos de merda com gasolina de uma empresa de merda de uma lógica de economia imperial de merda baseado no petróleo, não fizessem mais que manter isso que sufoca tanta gente. para não serem sufocadas as pessoas tentam sair desse sistemas e como não conseguem sair totalmente, ficam à margem.
me passa teu endereço, murilo. e eu não vou cagar na tua casa, vou dar um jeito de deixar merda na porta dela.
IX
lucas, ñ achas q o dono do fusca movido a um cavalo já tá cagado o suficiente pra merecer mais uma merda minha? mas que grande merda de pergunta tu me fizesse, hein? e eu já respondi, ñ leio sujeitos a nível de mérito (como diz meu amigo adalberto, coisa de pequeno burguês, a nota alta, o diploma, a mesada, o aumento, etc), então ñ sei se o cara merece ter a porta cagada, pela foto, sinto desejo é de convidá-lo a cagar na porta da sua casa. e outra coisa, lucas, achas q ñ funcionou pra provocar a discussão sobre as licitações? o q estamos fazendo aqui?
murilo, é muito comum se usar de referências em discussão e isso é ótimo! a academia nos instiga muito a fazer assim. no entanto eu, o adalberto, a gabriella, estamos procurando, à nossa maneira, apresentar a teoria dos autores dos quais concordamos, então eu ñ vou ler mises, nem fodendo! parece terrível, sinceramente, mas se tu quiser, como um bom debatedor pode fazer, me apontar os "argumentos" do teu referencial, beleza, caso contrário, pode ficar com teu livrinho curtinho. te recomendo, mas são livrões, o anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia (de deleuze e guattari), revolução molecular (guattari), gosto bastante do foucault q discute bem esse jogo de poder no qual tu tá tão inserido e parece ñ perceber q faz parte, ou ignora mesmo. gosto bastante do anarquista bakunin tb. nietzsche é lindo. recomendo tb, a todos vcs, lerem mais poesias, e outras modalidades de leitura menos técnica, q amplia essa nossa capacidade metonímica e metafórica (lacan diz q o inconsciente é estruturado como linguagem, e freud já dizia q o ics trabalha todo por associações como essas). vê, murillo? dissesse q é merda o q o adalberto falou, pois bem me parece um cocô de alguém muito mais saudável, melhor alimentado do q tu, com esses cocozinhos, essas bostas inconsistentes q vens lançando pra nós. cocozinho de cabrito, pequeno, pontual, coisa de quem come muita gordura e pouca fibra, gente sem fibra, sem firmeza, cocô mole, enfim, entenda as metáforas, colega.
não maurício, tu não tem educação. fosse extremamente grosseiro com a gabriella, e até agora mantivesse a discussão em um nível absurdamente narcisista: se defende disso, fala mal de um de outro por suas opiniões, etc. eu gostaria de saber de ti, maurício, já que nós estamos interpretando mal, como disse nosso colega murillo, como vocês, então, interpretam o ato do mpl? assim, sem falar 'os comunistas estão errados! o pobre do sortudo empregado faxineiro vai ter que limpar outra merda que não a do banheiro do prefeito!', gostaria de ouvir sobre a ideologia mesmo, se não com atos violentos, como, por exemplo, resolver o problema da tarifa? concordo q ñ vai ser pontualmente esse ato do cocô do cavalo q vá resolver a situação, mas como uma colcha de retalhos, são vários nós até se concluir a rede (mesmo depois de pronta, a rede ainda tem de servir, ser usada, cansada, rasgada, jogada fora...). vocês estão contentes e confiantes com as novas licitações? trabalhar na rbs, colega maurício, é uma ferramenta poderosíssima! com certeza tem toda sorte de gente legal trabalhando lá, minha banda ( http://facebook.com/besourosdapraia MOMENTO MERCHANT) já foi entrevistada algumas vezes por pessoas muito legais e honestas da rbs, no entanto a rbs carrega uma ideologia consigo, tu não concorda, maurício? e o caso aterrorizante do filho sirotsky tb é de deixar qualquer um inquieto, em especial uma menina - não a ataque desse jeito, maurício, é extremamente agressivo, ñ é tão engraçado qnt tu pensa, acho q nós homens não entendemos tão bem, ñ sei tu, mas eu gosto muito de mulher pra tratar qualquer uma desse jeito, seja comunista, seja minha vó. é tão absurdo assim o ato do mpl? por que tu acha que eu tou me enganando tanto? qualé tua interpretação? não sou comunista, não socialista, liberal anarquista, capitalista, não sou. sou chato, gosto de discutir, acho que deve ser meu sol em libra e a lua em capricórnio, mas deus me livre! vocês não devem acreditar em coisas tão absurdas.
* Os números gregos servem pra indicar respostas à perguntas diferentes.
I*
bóra segurar nossa própria merda até algum responsável aparecer, então, gustavo! mas espere aí, não é exatamente isso q acontece? eles vivem deixando correspondências pr'a gente, inclusive cobrando pra jogar nossas fezes na entrada da cidade, nós não podemos retribuir? não esqueçam do aspecto simbólico, talvez vcs não estejam usando totalmente suas capacidades metonímicas e metafóricas, bóra exercitar nossa abstração, colegas de academia.
II
querido, will, cavalos cagam pela cidade toda, teriam de limpar de um jeito ou de outro. tais mais precupado com a limpeza do território nobre q é a entrada da prefeitura? sabe o que ajudaria, o pessoal da limpeza, como vcs os estão chamando, não limpar. que tal?
III
e onde tá o problema? na merda largada ao chão, ou no poder exercido sobre os funcionário q são obrigados a limpá-la - q tb devem fazê-lo nos dos banheiros cagados pelos sagrados e limpos cus dos nobres políticos (q não são população, pelo q vcs tão me dizendo) que trabalham por ali, e em frente às suas casas, como em bairros com um péssimo saneamento básico, etc - ou caso contrário ele e sua são ameaçados de fome?
IV
mas eu ñ falei pra ñ limpar, falei q obrigar a limpar com ameaça de demissão é mais cruel q jogar cocô numa escadaria.
os 'seus próprios cérebros' estão tão atolados de merda à entrada lançada todo santo dia por essas tvzinhas e jornaizinhos q a raça gosta de ler, q sim, provavelmente os manifestantes tentaram sujar com os próprios cérebros cagados. sabe, gabriel, é isso que uma pessoa enfezada faz: fezes; melhor q ficar guardando tudo como uns parecem fazer.
ameaçar trabalhadores de fome com ordem, disciplina e todo o direito, tudo bem; jogar cocô de cavalo como forma de protesto já é vandalismo.
V
sim. eu tou preocupado com as intenções da manifestação, com o encontro entre militantes e trabalhadores, com as alianças entre grupelhos. e vcs com a limpeza do escritório do prefeito da cidade de vcs. é isso?
VI
ó, elias, ñ sou futurólogo, mas prevejo, com minha mais sincera intuição, q se a galera continuar achando pior o cocô na porta da prefeitura que as merdas nos outdoors, praias, mangues, tvs, escola, polícia, etc, acho q ñ prefeito nenhum vai se importar.
deixa eu mostrar o cocozão que jogaram no porta da minha casa há anos e eu ñ consigo limpar.
qnts de vcs têm carros? vou cagar na porta de cada um.
VII
foi uma ilustração, cena, é uma função da linguagem que alcança o sujeito por associação - metonímia, metáfora. se tu gosta de ler deves saber, acontece bastante em filmes também, o autor cria um personagem estereotipado afim de exagerar mesmo. ñ sei se elas merecem ter a porta cagada, mas que eu quero, eu quero, e a mim parecem merecer, como se fizessem muito parte dessa merda toda - corrupção, crime, prisão, loucura, neurose, histeria -, como se, com seus empreguinhos de merda, comprando seus nikes de merda, abastecendo seus carrinhos de merda com gasolina de uma empresa de merda de uma lógica de economia imperial de merda baseado no petróleo, não fizessem mais que manter isso que sufoca tanta gente. para não serem sufocadas as pessoas tentam sair desse sistemas e como não conseguem sair totalmente, ficam à margem.
me passa teu endereço, murilo. e eu não vou cagar na tua casa, vou dar um jeito de deixar merda na porta dela.
IX
lucas, ñ achas q o dono do fusca movido a um cavalo já tá cagado o suficiente pra merecer mais uma merda minha? mas que grande merda de pergunta tu me fizesse, hein? e eu já respondi, ñ leio sujeitos a nível de mérito (como diz meu amigo adalberto, coisa de pequeno burguês, a nota alta, o diploma, a mesada, o aumento, etc), então ñ sei se o cara merece ter a porta cagada, pela foto, sinto desejo é de convidá-lo a cagar na porta da sua casa. e outra coisa, lucas, achas q ñ funcionou pra provocar a discussão sobre as licitações? o q estamos fazendo aqui?
murilo, é muito comum se usar de referências em discussão e isso é ótimo! a academia nos instiga muito a fazer assim. no entanto eu, o adalberto, a gabriella, estamos procurando, à nossa maneira, apresentar a teoria dos autores dos quais concordamos, então eu ñ vou ler mises, nem fodendo! parece terrível, sinceramente, mas se tu quiser, como um bom debatedor pode fazer, me apontar os "argumentos" do teu referencial, beleza, caso contrário, pode ficar com teu livrinho curtinho. te recomendo, mas são livrões, o anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia (de deleuze e guattari), revolução molecular (guattari), gosto bastante do foucault q discute bem esse jogo de poder no qual tu tá tão inserido e parece ñ perceber q faz parte, ou ignora mesmo. gosto bastante do anarquista bakunin tb. nietzsche é lindo. recomendo tb, a todos vcs, lerem mais poesias, e outras modalidades de leitura menos técnica, q amplia essa nossa capacidade metonímica e metafórica (lacan diz q o inconsciente é estruturado como linguagem, e freud já dizia q o ics trabalha todo por associações como essas). vê, murillo? dissesse q é merda o q o adalberto falou, pois bem me parece um cocô de alguém muito mais saudável, melhor alimentado do q tu, com esses cocozinhos, essas bostas inconsistentes q vens lançando pra nós. cocozinho de cabrito, pequeno, pontual, coisa de quem come muita gordura e pouca fibra, gente sem fibra, sem firmeza, cocô mole, enfim, entenda as metáforas, colega.
não maurício, tu não tem educação. fosse extremamente grosseiro com a gabriella, e até agora mantivesse a discussão em um nível absurdamente narcisista: se defende disso, fala mal de um de outro por suas opiniões, etc. eu gostaria de saber de ti, maurício, já que nós estamos interpretando mal, como disse nosso colega murillo, como vocês, então, interpretam o ato do mpl? assim, sem falar 'os comunistas estão errados! o pobre do sortudo empregado faxineiro vai ter que limpar outra merda que não a do banheiro do prefeito!', gostaria de ouvir sobre a ideologia mesmo, se não com atos violentos, como, por exemplo, resolver o problema da tarifa? concordo q ñ vai ser pontualmente esse ato do cocô do cavalo q vá resolver a situação, mas como uma colcha de retalhos, são vários nós até se concluir a rede (mesmo depois de pronta, a rede ainda tem de servir, ser usada, cansada, rasgada, jogada fora...). vocês estão contentes e confiantes com as novas licitações? trabalhar na rbs, colega maurício, é uma ferramenta poderosíssima! com certeza tem toda sorte de gente legal trabalhando lá, minha banda ( http://facebook.com/besourosdapraia MOMENTO MERCHANT) já foi entrevistada algumas vezes por pessoas muito legais e honestas da rbs, no entanto a rbs carrega uma ideologia consigo, tu não concorda, maurício? e o caso aterrorizante do filho sirotsky tb é de deixar qualquer um inquieto, em especial uma menina - não a ataque desse jeito, maurício, é extremamente agressivo, ñ é tão engraçado qnt tu pensa, acho q nós homens não entendemos tão bem, ñ sei tu, mas eu gosto muito de mulher pra tratar qualquer uma desse jeito, seja comunista, seja minha vó. é tão absurdo assim o ato do mpl? por que tu acha que eu tou me enganando tanto? qualé tua interpretação? não sou comunista, não socialista, liberal anarquista, capitalista, não sou. sou chato, gosto de discutir, acho que deve ser meu sol em libra e a lua em capricórnio, mas deus me livre! vocês não devem acreditar em coisas tão absurdas.
boa, valmor! devias ter posto essa sonzeira mais cedo, a discussão teria sido iluminada, com certeza. parem vinte minutos de seus tempos cronológicos, ou o q alguns chamam de vidinha medíocre, pra escutar esse ravel., se vcs não podem fazer isso, tb não podem reclamar de esperar na fila, no trânsito, no hu, no sus, na
balada com o pau na mão.
X
foi justamente isso q ele fez, recomendou o q ele gosta,pedi só pra ele expor as ideias, facilitaria o processo de discussão. eu já leio bastante, adoro ler, só ñ tenho vontade de incluir mas essa aí.
e eu posso opinar sobre a gabriella, sim. isso aqui é uma discussão pública. todo mundo pode opinar aqui, quem tá te proibindo? aliás, o que pedi foi justamente pra tu opinar. por que tu te impede de opinar?
não falem se gostam ou não do meu ponto de vista, sinceramente, eu não ligo. eu gostaria de ler o de vocês, como eu gosto de ler os pontos de vista do guattari, deleuze, foucault, nietzsche, lacan, vinícius de moraes, nirvana, da minh avó, etc. qual é o teu? mas tou gostando de ver q curtisse as licitações. eu fico com o pé atrás, pra dizer bem a verdade, vão fazer licitação e vender pra mesma galera por mais vinte anos? mas sabe, já me cansei até de querer depender de buzu, tou na onda da bike, pego ônibus mesmo só pra poder ficar lendo no caminho.
se chega desse post, maurício, é só parar de responder. eu tou esperando dar a hora de sair e tou escutando um som, gosto de ficar papeando.
* Os números gregos servem pra indicar respostas à perguntas diferentes.
Tradução, Without you do Silverchair
Lendo os concretistas, Décio Pignatari e os irmãos dos Campos, Augusto e Haroldo, me convenci da importância da tradução. Não só essa faz o desenho das imagens poéticas no campo simbólico mais próximo que nós temos, a língua materna, mas a tradução também se passa, invariavelmente, por um processo de reinterpretação. Uma boa tradução deve evocar a ideia primeira, original. Isso significa manter também as ambiguidades, e não interpretá-las à sua maneira. A língua inglesa ao mesmo tempo que tem um vocabulário mais pobre que o português, permite a criação de novas palavras que fica difícil traduzir pro português sem lançar mão do artifício "de". Por exemplo: wallpaper, papel de parede. Esse artifício da língua inglesa, de juntar a palavra parede e outra palavra papel e com isso fazer-se entender ao leitor que se diz exatamente da camada de papel que fica sobre a parede sem que se crie uma ordem quase que hierárquica como no papel que pertence à parede do papel de parede.
Enfim, falo sobre isso porque venho traduzindo algumas canções do Silverchair (nome próprio ñ se traduz, até porque esse outro jogo de palavras, silverchair, nunca significou, de fato, cadeira prateada, ou cadeira de prata, ou cadeiraprata; da mesma forma como Beatles, por exemplo, é intraduzível, Batidasouros?). Meu objetivo é traduzir o disco Neon ballroom, Salão de baile neon (vê que desde o título já me aparece o problema), de 1999. Considero-o um disco incrível. Como este ainda tou traduzindo devagar, com mais carinho, vaidade, não vou divulgar o que estou fazendo, mas vou mostrar uma tradução que fiz agora de Without you, Sem você, também do Silverchair (without outra palavra significativa, porque não reconhece a ausência em si, o sem, mas percebe a ausência do que não está, with, o estar está fora, out, não que se falte, mas o que pertence está ausente), do disco Diorama de 2002.
Você pode ler o orginal aqui.
Sem você (Daniel Johns, trad. Lui)
Milhas além
Há sorrisos sem esperanças mais brilhantes que meu
E eu preciso que você venha e vá
Sem que o fato caia fora
Velhas incisões recusando a ficar
Como o sol pelas árvores em um dia nublado
Telefone
Socialmente assustado e impairado
Se as árvores vão florescer o vento pode soprar
Sem que a fruta caia fora
Sente como o sopro vento
Segurando você conosco
Ela não leva outra
Luz falsa e poeiras
Florescendo como inverno
Você abrilhantou minha vida como um chapéu de isopor
Mas derrete com o sol como uma vida sem amor
Mas eu esperei por você então continuarei aguentando
Sem você
Ñ!
Chutar as bolas dos machos autoritários q nos apontam com dedos magros, minúsculos e fracos o q suas bocas grandes, cheias de merda, acreditam esvaziar feito ejaculação, pobre gozo podre, sobre as caras e corpos de crianças, mulheres, negros, homossexuais, e toda a sorte de pessoas q descobrem nos pequenos grupos, nas tribos, vias de experimentação de seus desconhecidos sufocados desejos.
Não à polícia, à escola, ao capitalismo, à esquerda burocrática, à mídia de massa, à propriedade, à privacidade.
Sim aos agenciamentos, encontros, acontecimentos, devires, delírios, às artes, aos ócios e ofícios honestos, q aumentam a potência de nossos corpos sociais, biológicos, psi, celestes, cósmicos, com ou sem órgãos.
O q é feliz através de ti? O q te atravessa feito alegria? O q te faz forte, potente, distante de si, próximo ao mundo inteiro? O q faz teu corpo ir até às estrelas?
“Para criar a liberdade e um santo NÃO, mesmo perante o dever; para isso, meus irmãos, é preciso o leão.
Conquistar o direito de criar novos valores é a mais terrível apropriação aos olhos de um espírito sólido e respeitoso. Para ele isto é uma verdadeira rapina e coisa própria de um animal rapace.
Como o mais santo, amou em seu tempo o “tu deves” e agora tem que ver a ilusão e arbitrariedade até no mais santo, a fim de conquistar a liberdade à custa do seu amor. É preciso um leão para esse feito.
Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança?
A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação.
Sim; para o jogo da criação, meus irmãos, é preciso uma santa afirmação: o espírito quer agora a sua vontade, o que perdeu o mundo quer alcançar o seu mundo.
Três transformações do espírito vos mencionei: como o espírito se transformava em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança”.
Referência
Nietzsche. Assim falava Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Disponível em: http://www.elivrosgratis.com/download/1953/assim-falou-zaratustra-friedrich-nietzsche.html
Sobre a polêmica do ENEM de outubro de 2013 e uma discussão acerca do público e do privado
"Enquanto se mantiver uma distinção absoluta entre a vida privada e a vida pública, não se avançará nenhum passo!", Guattari.
apesar de serem informadas pela tv, pela internet, pelos fiscais durante as provas, pelos professores nas aulas, muitos alunos ainda insistem em bater fotos com seus celulares,da prova do enem.
talvez até acreditem q ñ serão flagrados.
duas questões me chamam a atenção: por um lado, uma espécie de descuido, fazem que não foram informadas sobre tal regra, auto-sabotagem, ato falho, etc; por outro lado isso de não ligarem pras consequências, quase como se a vontade de obter bom resultado no enem, e com isso conquistar o que deseja - entrar na universidade pública -, ñ fosse maior q a vontade de descumprir a regra, de se arriscar. como qm parece ter menos medo de um acidente de carro em ato do q o gozo obtido por dirigir rapidamente; ironicamente é necessário q se crie mecanismos pra q pessoas ñ se arrisquem, ameçando-o com multas q retirariam-lhe os bens, o dinheiro, o poder de compra, o poder; no entanto, há potência sem vida? talvez na filosofia, na literatura, nas artes, mas não no trânsito.
a regra q tá sendo quebrada no caso do enem é de divulgação da imagem da prova do enem e do cartão de respostas. é proibido tornar público, via facebook, esse documento que é privado, a prova. Felix Guattari (1987) discute essa relação entre o privado e o público em "As lutas do desejo e a psicanálise", no livro Revoluão molecular, e afirma aforisticamente: "Enquanto se mantiver uma distinção absoluta entre a vida privada e a vida pública, não se avançará nenhum passo!" (p.25).
As prova do enem, do vestibular, dos concursos de ingresso tanto na universidade quanto em cargos públicos, são testes de passagem prum novo estágio da vida, de como ele aparece pros outros, pro público, um novo estágio da vida pública. quando um adolescente sai do ensino médio e ingressa na universidade deixa de ser, pra família, pros amigos, pros policiais, pras livrarias, etc, somente um estudante, se torna acadêmico, universitário; um concursado deixa se tornar um simples trabalhador civil, um empregado q vende desesperado sua mão de obra com pelo pavor do desemprego, da fome, e da morte sua e de seus familiares (Guattari, 1987. p.13) pra se tornar funcionário efetivo da máquina burocrática do estado, agora este sujeito recebe, sem o medo da fome, da miséria, de ser mal-visto, dinheiro pra manter o estado.
O acontecimento da prova, estar sentado em uma sala, cheio de gente, fazendo a mesma prova, etc, e todos os outros momentos anteriores e seguintes à prova são públicos, fazer a prova é privado, e isso não pode ser compartilhado. o sujeito que faz a prova deve fazer sozinho, mesmo tendo outras trinta pessoas na mesma sala. estas, aliás, são adversárias, concorrentes, pretendentes de uma mesma vaga, e devem ser "eliminadas", e há regras nesta luta, como em toda outra guerra, uma delas é não divulgar documentos privados: o cartão resposta, a prova.
o facebook é como uma janela pruma via pública, tão movimentada quanto a quantidade de "amigos" que se tem à lista do site. mas um outro olho, q ñ o nosso, ñ dos amigos, um olho sinistro olha de fora pra dentro dessa nossa janela, e tudo o que se mostra por essa janela, por esse mural, este olho não só vê, memoriza: os arquivos dos perfis do facebook, também do google, etc. a internet funciona assim: nos expomos porque queremos, estamos nos dispomos, nos colocamos disponíveis. como mídia a tv tem uma lógica diferente: ela entra em casa e te impede de olhar pra fora da janela, a tv se oferece como janela; na internet não há conteúdo de antemão, dependendo do navegador, do sistema operacional, do provedor, etc., será oferecido algum conteúdo, no entanto há uma barra de procura, normalmente de fácil alcance - o q não há na tv - em q se pode pesquisar por qualquer termo legal. o facebook entra na internet se colocando sobre essa ideia de território livre, sobre esse aparente infinito de possibilidades oferecido por uma barra de procura; essa q ideia de transição livre por um território infinito foi trocado por estruturas fixas, os perfis e murais, pelas quais as pessoas transitam; nos firmamos dentro dessa construção, e ficamos parecendo aquelas mulheres q ficavam à janela olhando os homens passarem, porém, no facebook, todos estão à janela, parados, e as pessoas passam umas pelas outras como q movidas por esteiras, sem precisarem se esforçar, ñ há corpo envolvido, olhamos e olhamos, mas nem há olhar envolvido nessa caminhada: é virtual.
outro aspecto em q a internet quebra com a disputa entre público e privado é no acesso a filmes, músicas, e (coincidentemente?) os arquivos de mais fácil acesso são justamente aqueles mais protegidos, mais particulares, de empresas q procuram de todas as formas - envolvem leis, estados, polícias, tv, etc - pra defender o sua propriedade. a discussão não é quanto o acesso aos "seus" produtos, nem mesmo se leva em consideração esse sintoma de as pessoas estarem cada vez mais conquistando seus desejos por vias marginais através da internet - baixando filmes ilegalmente, divulgando fotos de suas provas do enem, de suas namoradas nuas fazendo boquete falando sacanagem. à moral, à publicidade, mostrar a vida privada só é permitido via grife, centraliza-se o gozo no ato da compra, no exercer o poder de jogar o dinheiro, essa merda, sobre o outro, e ñ se fala sobre gozar o produto com o outro, socialmente, em comunidade; ou mesmo sozinho, sem permissão, sem censura, por alegria, por amor.
Referência
Guattari, Felix. Revolução Molecular: pulsasões políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense, 1987.
apesar de serem informadas pela tv, pela internet, pelos fiscais durante as provas, pelos professores nas aulas, muitos alunos ainda insistem em bater fotos com seus celulares,da prova do enem.
talvez até acreditem q ñ serão flagrados.
duas questões me chamam a atenção: por um lado, uma espécie de descuido, fazem que não foram informadas sobre tal regra, auto-sabotagem, ato falho, etc; por outro lado isso de não ligarem pras consequências, quase como se a vontade de obter bom resultado no enem, e com isso conquistar o que deseja - entrar na universidade pública -, ñ fosse maior q a vontade de descumprir a regra, de se arriscar. como qm parece ter menos medo de um acidente de carro em ato do q o gozo obtido por dirigir rapidamente; ironicamente é necessário q se crie mecanismos pra q pessoas ñ se arrisquem, ameçando-o com multas q retirariam-lhe os bens, o dinheiro, o poder de compra, o poder; no entanto, há potência sem vida? talvez na filosofia, na literatura, nas artes, mas não no trânsito.
a regra q tá sendo quebrada no caso do enem é de divulgação da imagem da prova do enem e do cartão de respostas. é proibido tornar público, via facebook, esse documento que é privado, a prova. Felix Guattari (1987) discute essa relação entre o privado e o público em "As lutas do desejo e a psicanálise", no livro Revoluão molecular, e afirma aforisticamente: "Enquanto se mantiver uma distinção absoluta entre a vida privada e a vida pública, não se avançará nenhum passo!" (p.25).
As prova do enem, do vestibular, dos concursos de ingresso tanto na universidade quanto em cargos públicos, são testes de passagem prum novo estágio da vida, de como ele aparece pros outros, pro público, um novo estágio da vida pública. quando um adolescente sai do ensino médio e ingressa na universidade deixa de ser, pra família, pros amigos, pros policiais, pras livrarias, etc, somente um estudante, se torna acadêmico, universitário; um concursado deixa se tornar um simples trabalhador civil, um empregado q vende desesperado sua mão de obra com pelo pavor do desemprego, da fome, e da morte sua e de seus familiares (Guattari, 1987. p.13) pra se tornar funcionário efetivo da máquina burocrática do estado, agora este sujeito recebe, sem o medo da fome, da miséria, de ser mal-visto, dinheiro pra manter o estado.
O acontecimento da prova, estar sentado em uma sala, cheio de gente, fazendo a mesma prova, etc, e todos os outros momentos anteriores e seguintes à prova são públicos, fazer a prova é privado, e isso não pode ser compartilhado. o sujeito que faz a prova deve fazer sozinho, mesmo tendo outras trinta pessoas na mesma sala. estas, aliás, são adversárias, concorrentes, pretendentes de uma mesma vaga, e devem ser "eliminadas", e há regras nesta luta, como em toda outra guerra, uma delas é não divulgar documentos privados: o cartão resposta, a prova.
o facebook é como uma janela pruma via pública, tão movimentada quanto a quantidade de "amigos" que se tem à lista do site. mas um outro olho, q ñ o nosso, ñ dos amigos, um olho sinistro olha de fora pra dentro dessa nossa janela, e tudo o que se mostra por essa janela, por esse mural, este olho não só vê, memoriza: os arquivos dos perfis do facebook, também do google, etc. a internet funciona assim: nos expomos porque queremos, estamos nos dispomos, nos colocamos disponíveis. como mídia a tv tem uma lógica diferente: ela entra em casa e te impede de olhar pra fora da janela, a tv se oferece como janela; na internet não há conteúdo de antemão, dependendo do navegador, do sistema operacional, do provedor, etc., será oferecido algum conteúdo, no entanto há uma barra de procura, normalmente de fácil alcance - o q não há na tv - em q se pode pesquisar por qualquer termo legal. o facebook entra na internet se colocando sobre essa ideia de território livre, sobre esse aparente infinito de possibilidades oferecido por uma barra de procura; essa q ideia de transição livre por um território infinito foi trocado por estruturas fixas, os perfis e murais, pelas quais as pessoas transitam; nos firmamos dentro dessa construção, e ficamos parecendo aquelas mulheres q ficavam à janela olhando os homens passarem, porém, no facebook, todos estão à janela, parados, e as pessoas passam umas pelas outras como q movidas por esteiras, sem precisarem se esforçar, ñ há corpo envolvido, olhamos e olhamos, mas nem há olhar envolvido nessa caminhada: é virtual.
outro aspecto em q a internet quebra com a disputa entre público e privado é no acesso a filmes, músicas, e (coincidentemente?) os arquivos de mais fácil acesso são justamente aqueles mais protegidos, mais particulares, de empresas q procuram de todas as formas - envolvem leis, estados, polícias, tv, etc - pra defender o sua propriedade. a discussão não é quanto o acesso aos "seus" produtos, nem mesmo se leva em consideração esse sintoma de as pessoas estarem cada vez mais conquistando seus desejos por vias marginais através da internet - baixando filmes ilegalmente, divulgando fotos de suas provas do enem, de suas namoradas nuas fazendo boquete falando sacanagem. à moral, à publicidade, mostrar a vida privada só é permitido via grife, centraliza-se o gozo no ato da compra, no exercer o poder de jogar o dinheiro, essa merda, sobre o outro, e ñ se fala sobre gozar o produto com o outro, socialmente, em comunidade; ou mesmo sozinho, sem permissão, sem censura, por alegria, por amor.
Referência
Guattari, Felix. Revolução Molecular: pulsasões políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense, 1987.
cabeça
tem um buraco na cara
que se mexe e fala
por outro entra ar
ou saem pêlos
de homens e mulheres
do topo da cabeça
de todo mundo quase
dois buracos
preenchidos
vistos daqui
parecem um só
mas são dois
pequenos olhos
que vêem tudo
gigante
de cada lado tem um buraco
que se encontra bem no meio
o universo ecoa inteiro
no delay do pensamento
que se mexe e fala
por outro entra ar
ou saem pêlos
de homens e mulheres
do topo da cabeça
de todo mundo quase
dois buracos
preenchidos
vistos daqui
parecem um só
mas são dois
pequenos olhos
que vêem tudo
gigante
de cada lado tem um buraco
que se encontra bem no meio
o universo ecoa inteiro
no delay do pensamento
O que esperar de um coletivo de design
Nada. Mas quero que esses laboratórios de criatividade se expandam para mais formas de produção, prestando menos atenção à questões de demanda e público alvo e mais à invenção de novos afetos que, aí sim, formarão novas demandas e novos públicos alvo. Deixem aos publicitários se virarem com vender o que inventamos. Digo isso porque escuto de designers queixas de quererem ser artista.
Quero que façam parcerias com músicos, bandas, por exemplo. Parceria, não prestação de serviço. Produzindo a parte física, desenhando o material, o design da coisa, e outros aspectos da venda do trabalho dos músicos. Produzindo material de divulgação de exposições de peças de teatro, etc. Ou mais: desenhando instrumentos, amplificadores; rouparia pras peças; a disposição de uma galeria.
Desing me parece ainda ferramenta de propaganda, enquanto seria mais interessante se servisse de um desenho: seja lá do que for, fotografia, cartaz, cadeira, festa, banda, quadrinhos, etc. O desenho (como no desenho animado) tem algo de fantasioso, supera a realidade, parece navegar pela hiância do inconsciente; o design deveria produzir desejos, e não satisfazê-los.
Quero que façam parcerias com músicos, bandas, por exemplo. Parceria, não prestação de serviço. Produzindo a parte física, desenhando o material, o design da coisa, e outros aspectos da venda do trabalho dos músicos. Produzindo material de divulgação de exposições de peças de teatro, etc. Ou mais: desenhando instrumentos, amplificadores; rouparia pras peças; a disposição de uma galeria.
Desing me parece ainda ferramenta de propaganda, enquanto seria mais interessante se servisse de um desenho: seja lá do que for, fotografia, cartaz, cadeira, festa, banda, quadrinhos, etc. O desenho (como no desenho animado) tem algo de fantasioso, supera a realidade, parece navegar pela hiância do inconsciente; o design deveria produzir desejos, e não satisfazê-los.
Contra o Facebook a favor do baleador
Antes de virar notícia inclusive na RBS, associada da Globo no Sul do Brasil, vi no mural de alguém no Facebook um vídeo de assalto à mão armada. Denunciei o vídeo alegando ter cenas de violência real. Negaram a denúncia. Mas essa posição me fez refletir no quão tendenciosas são esses julgamentos, pois que o Facebook é uma nova mídia, a TV inclusive já retira seu material de lá. Li sobre como o Facebok tem retirado páginas que denunciam cotidianeidades de algum políticozinho qualquer do PSDB, por ofender qualquer valor moral que esses imbecis gananciosos acham que sua carinha ainda lhe dá.
No vídeo há uma ação de assalto real, amão armada, filmada do capacete do assaltado. O sujeito mira a arma para a câmera, pro sujeito de cá, eu. Após sucedido o assalto, eis que surge um policial e dá um tiro no assaltante. Um tiro real. Poderia tê-lo matado. Isso não é violência real? Ele poderia ter morrido. Vamos matar em praça pública afim de servir de exemplo? Não, vamos deixá-lo apenas mancando. Sei que "a mídia" está passando esse vídeo de qualquer jeito. Não quero que o Facebook censure mais informações que já têm censurado, mas quero que considere minha denúncia, denuncio contra o policial, contra quem primeiro publicou esse vídeo, e contra todos os meios que o estão divulgando. O que acontece com o sujeito baleado agora? Vai para cadeia, e aí? Vai sofrer um pouco mais. E um outro vai sair de lá, arranjar uma arma com outro policial, e por aí, vai...
qnd de repente
tu te dá
conta de qm tem
q colocar
teu desejo na mesa
é tu
reclama do barulho
porque quer conversar
porque não fala logo o que quer
ao invés de reclamar?
tu te dá
conta de qm tem
q colocar
teu desejo na mesa
é tu
reclama do barulho
porque quer conversar
porque não fala logo o que quer
ao invés de reclamar?
parece bobagem
pouca coisa
mas é só o que eu penso
no ponto de ônibus
dentro do ônibus
escutando música
olhando o mar
passa uma, duas,
passam todas as mulheres do mundo
e eu só penso em ti
até te imagino me dizer
é bobagem, larga disso
esse papo de amor não tá com nada
o negócio é a boca
a boca
pouca coisa
mas é só o que eu penso
no ponto de ônibus
dentro do ônibus
escutando música
olhando o mar
passa uma, duas,
passam todas as mulheres do mundo
e eu só penso em ti
até te imagino me dizer
é bobagem, larga disso
esse papo de amor não tá com nada
o negócio é a boca
a boca
Fim da primavera.
o tempo
sinto
q perco
q passa
e ñ volta
mas
agora
aqui
que estou fazendo
o
que estou fazendo
tempo invisto?
ó, pai, chronos
quando me comerás?
o tempo
não sinto o tempo
dizem-me do tempo
e q tenho anos
NÃO
sinto apenas q estou
aqui
agora
cantando o que estou
escrevendo
sendo
tempo
sinto que estou morrendo
mas ao mesmo
tempo
sinto
vida, ar, sol
os olhos querendo estourar
inaugrar mais uma nascente
melancólica e pequenina feito
orvalho no olhar
isso é o tempo
não passar
tempo
sinto estar
sinto
q perco
q passa
e ñ volta
mas
agora
aqui
que estou fazendo
o
que estou fazendo
tempo invisto?
ó, pai, chronos
quando me comerás?
o tempo
não sinto o tempo
dizem-me do tempo
e q tenho anos
NÃO
sinto apenas q estou
aqui
agora
cantando o que estou
escrevendo
sendo
tempo
sinto que estou morrendo
mas ao mesmo
tempo
sinto
vida, ar, sol
os olhos querendo estourar
inaugrar mais uma nascente
melancólica e pequenina feito
orvalho no olhar
isso é o tempo
não passar
tempo
sinto estar
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