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2013
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Coqueiro sem coco, sol sem calor, chuva sem se precipitar demais.
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| Com o mesmo instrumento utilizado pra decepar os discordantes do império |
Dentro do carro em direção à praia, sob o ar(tifical) condicionado. Cruza Coqueiros inteiro, depois a avenida Beiramar inteira; pensa: ñ vejo a hora de chegar na praia!
Ñ fossem os valores completamente corrompidos, a noia atrás de grana epropriedade, Floripa seria toda uma praia gigante - mas ñ, hj é um grande estacionamento cercado de um depósito oceânico de excreções.
No condomínio onde moro, cujo nome fantasia homenageia meu avô e poeta mestre Zininho, cortaram algumas árvores que fazia divisa com o muro vizinho, me disseram q vão plantar palmeiras, essas árvores q têm por toda Beiramar e por todo Coqueiros, mas ñ dá coco nem sombra. Aliás, planta importada que também serve para enfeitar o interior do shopping flutuante sobre o mangue Iguatemi, a fim de parecer Miami afim de parecer algo caribenho.
Tá calor demais, e tá uma delícia. O Sol sabe o quanto esquentar quando, no eterno, giro a Terra se inclina e pede calor estável nalgum hemisfério; o Sol é inevitável, nosso solo de concreto e bueiro é que ñ o sabe receber. É como quando reclamam de chuva em excesso, e dizem ser esse o problema de cidades inundadas (ñ me surpreenderia que, como faz com os fenômenos psicológicos, a ciência invente de evitar o fenômeno em si, invente de tentar fazer ñ chover) e ñ na estrutura q compõe e mantém o problema: o mal planejamento de pedra e pedra e pedra urbana sem ter onde a precipitação realizar seu desejo de ser absorvida.
Eu moro a cem metros da praia, mas parece que morro a cem anos luz dela.
Imagem Green Power.
Fithos Luces Wecos Vinosec
As músicas da série Final Fantasy parecem as vezes remeter a outras. O tema do Cait Sith (VII) me lembra alguma coisa da pantera cor de rosa; a intro do VI me lembra o Zaratustra de Strauss. No entanto, o desenvolvimento dos temas por Uematsu deixam claro que são música inéditas, a referência clara pode ser uma espécie de homenagem, ou ironia.
Clicando na imagem você será redirecionado a um arquivo torrent com todas as músicas de todos os FF, recomendo, pelo menos, todos os Piano Collection.
neliz fatal
| "Alegre crise e um feliz novo medo" |
o centro de floripa está cintilante, luzes, cascatas de luzes, é uma coisa linda de se ver. foram instaladas caixas de som pelas principais ruas do centro com músicas relacionadas ao grande evento cristão da estação, natal. mas que coisa chata. por que não aproveitar o espaço público e compartilhar de outros afetos de verão? que também toque música cristã estadunidense, mas o que outras religiões estão celebrando nestes tempos? como são seus cantos? e como outras maneiras de se estar em conjunto - pois que muitos já não celebram mais o nascimento de jesus de nazaré no natal, mas aproveitam pra celebrar a família - cantam suas festas? dizem algumas coisas sobre um estado laico, poderia-se tocar música instrumental, floripa - e todo lugar deve ser assim - tem muitos compositores bons, instrumental, pop, rock, reggae... caminhar pelo centro ao som de jingle bells mais me dá vontade de estar em casa e escutar silêncio canto de passarinho. não bastasse o barulho dos carros, dos vendedores, ainda mais essa sufocante repetição de um natal invernoso, gordo e ostensivo estaunidense! ninguém precisa disso, pelo menos não precisamos de um estado gastando com isso, dessa forma.
| Franklin Cascaes na praça XV de novembro |
o presépio de franklin cascaes, atualmente sob a manutenção de jone de araújo é um ótimo exemplo do respeito à mitologia e à arte, à religião e à estética, ao local e ao geral. montaram também um inglu na praça xv (devem ter trazido neve da palhoça). e floripa está sempre assim, como mostra a foto, bonita na frente e sendo ajustada por trás. não há um segundo de silêncio nessa cidade, nunca houve, desde que nasci. barulho de construção, barulho de bagunça, de corrupção, e quem está aqui, tentando fazer uma coisa bonita, uma música nova, por exemplo, é sempre interrompido por um barulho insuportável de música de dinheiro.
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| Zininho no centro de Floripa |
mas é clima de natal, não arruine meu natal, disse a viuva chinesa antes de seu marido jogar-se do sétimo andar (em 7 de dezembro) por não aguentar mais as andanças pelo shopping atrás de sapatos. Andanças atrás de sapatos! esse é o capitalismo, correr atrás do próprio rabo, comer a própria merda.
rachel chêra-azedo
uruguai ñ tá legalizando nada, tá regulamentando um comércio que já existe. dizem q no brasil é 'ilegal', mas qm quer qqer produto sabe onde comprar e acha isso muito legal. legalizar cocaína e outras drogas sintéticas seria legalizar toda uma indústria de drogas, seria como expandir pra uso 'recreativo' os medicamentos que já fabricam. ou medicamentos anti-psicóticos são menos ofensivos pra saúde do que a maconha? regulamentar a produção e venda da maconha é permitir uma pessoa de crescer uma planta no fundo de casa, e ser assistencializada caso alguma coisa saia do controle; não encarcerada caso um pm (porcoimundo) malcomido decida usar seu uniforme, cacetete e falta de tato decida trabalhar. em amsterdã funcionou e funciona de forma diferente de como funcionará no uruguai. o próprio mujica já falou muito sobre o assunto em vário vídeos pelo youtube.
rachel, você é uma jornalista de meia tigela, formadora de opinião barata, mantedora e serviçal do status quo, nem deve ser tão bem remunerada, e por outro lado ainda acumula má fama.
bóra dar uma volta pelo uruguai pra dar uma relaxada, tem um chá por lá mais eficiente q esses anti-depressivos anti-libidinais q deves tomar por aí, nêga.
Esse negócio da mãe preta ser leiteira já encheu sua mamadeira, vá mamar noutro lugar
a rede bobo tá perdendo (perdeu faz tempo!) o senso do ridículo (do que ainda é digno de riso).
colocam uma branquela fantasiada de princesa cyberpunk no meio de um bando de macaco saltitante. Fantasias de macaco iguaizinhas umas às outras, tornando-se como q uma sombra pra aclarar ainda mais a figura central, a modelo, cantora, dançarina, apresentadora, a gaúcha que fala de amor e sexo. assim que a música acaba os macacos são convidados a se retirar, claro, pois o programa deve continuar.
o arranjo da música lembra os dos axés populares nos anos 1990, de massa. Sem muita dinâmica, a voz inexpressiva, forte o tempo todo, quase ñ se nota o texto, frases firmes e sem sentimento, quase sem sentido, o único sentido, parece ir em direção apenas ao refrão e ao espetáculo de luzes e movimento da televisão.
e pra fechar, com chave de estrume, o ciclo esquizofrênico da televisão, a ausência completa de sentido: a coreografia primata serviu apenas de introdução a um programa sobre amor e sexo. cada macaco no seu galho, eu não me canso de falar, use camisinha (?). se ainda fossem bonobos saltitando livremente... mas não, pessoas vestidas, de macaco. nunca assisti o programa, mas ainda deve ter algum tipo de competição sobre conhecimento sexual. coisa típica de chimpanzé q aprendeu a raciocinar: ao invés de dar marretada no outro, procura derrotá-lo, desterritorializá-lo outro inundando-o com o que acumulou-se de informação (clitóris! clitóris! clitóris!); não se a-prende para des-prender, mas para re-preender, manter-nos a todos na mesma situação opressora.
Van Dyke Parks ao vivo @ New York, 1992.
Van Dyke Parks trabalhou com Brian Wilson (Beach Boys) em 1994, no disco Oragen Crate Art (próximo dos 43 minutos do vídeo ele fala sobre querer trabalhar na música título do álbum com o compositor de Pet sounds), e no projeto de quase quarenta anos de gestação, Smile, lançado em 2004. Parks assina as parcerias nos arranjos e nas letras. Trabalhou também com Silverchair nos arranjos das músicas Across the night, Tuna in the brine - minha favorita - e Luv your life do disco Diorama de 2000, e nas músicas If you keep losing sleep, Those thieving birds Strange behaviour e All across the world no disco de 2007 Young modern. Tem sete discos lançados em seu nome, muito difíceis de encontrar na internet, o primeiro de 1968, Song Cycle, e o mais recente de 2013, Song Cycled.
Seus arranjos são elaborados e delicados, parecem sugerir um senso de humor e nos fazem sentir o prazer de ter as expectativas sofisticadamente frustradas. Como toda boa obra de arte causa estranhamento, ou encantamento; causa um medo, desejo. Escreve para instrumentos herdados da tal música erudita, orquestra completa, mais bateria, guitarra e também canta com uma voz firme e gentil. Seu grande charme, para mim, está na novidade harmônica sutil, nos fraseados longos, na imprecisão das cadências, e seus longos e carinhosos codas.
As letras contam histórias interessantes, inteligentes, ainda não prestei toda a atenção que a poesia merece...
Recomendo pra quem gosta de bons arranjadores e compositores como Tom Jobim, Beethoven, David Bowie, Jaques Morelenbaum, etc.
Digo que é o melhor do rock. Não deixa a dever a nenhum Beatles. Eu adoraria ter uma música arranjada por Van Dyke Parks.
Serrote no umbigo do bezerro faminto
eu tentei ser querido
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
quis ser bonzinho
sorri praquele tal quem
fiquei rocha quietinho
por seis dedos excluídos
dos meus nos de quem
eis que volta
toda linda, faceira e tonta
me dizendo que nem morta
vive longe de mim
eu escuto passarinho
som de serrote no umbigo
falando de quem
muge ou algo parecido
e bezerro eu faminto
acredito que é amor
eis que volta
borrada, meiga de perna torta
me chora acre mel de rosa
e espera meu verão
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